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Em abril passado, o CONAR (Conselho de Auto-Regulação Publicitária) recomendou a suspensão de veiculação de duas campanhas da Petrobras por divulgarem a "idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país".
Essa iniciativa partiu de entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Greenpeace, o Movimento Nossa São Paulo e a SOS Mata Atlântica, entre outros.
Já conversamos neste espaço sobre o termo Green Wash que se refere a empresas que apenas pintam de verde sua fachada e saem bradando aos quatro ventos que são ECO, BIO, sustentáveis, ambientais, sociais e outras balelas.
A maioria das empresas continua sendo apenas empresas comuns. Com vislumbre inebriante de maiores lucros a qualquer custo, aumento de shares, grana no bolso de alguns.
A petrobras investe um montão de dinherios em meio ambiente podem dizer alguns. É verdade! E a Petrobras é co-responsável pela morte de 6.000 pessoas por ano, ao comercializar, em alguns casos, diesel com 40 vezes mais enxofre do que aquele comercializado na Europa.
Uma empresa que trabalha com combustíveis fósseis nunca, nunca, vai ser sustentável! É claro e límpido que ao extrair, refinar, transportar e comercializar um produto que causas desequilíbrios ambientais severos (mudanças climáticas) e problemas sociais ainda mais drásticos (problemas respiratórios, cânceres e mortes) a empresa perde apoio de dois eixos do chamado tripé da sustentabilidade.
Ah sim, o eixo restante é o econômico, aí sim a Petrobras é empresa de ponta!
Não é só a empresa petroleira que deveria tomar um safanão do CONAR. Tem muitos outros engraçadinhos por aí.
A Coca-Cola vai destinar parte das vendas de seus refrigerantes (algo em torno de 2 ou 3 centavos por garrafa) para o Instituto Coca-Cola. Entenderam? Tudo na cozinha. Sai da empresa e entra no Instituto.
Discussões à parte e partindo do princípio que o Instituto vai aplicar com sapiência e parcimônia os recursos obtidos, ainda assim existem pontas soltas muito interessantes.
O montante de arrecadação coma campanha de que estamos falando gira em torno de R$ 4 milhões. É mais ou menos como se uma pessoa que ganha um salário mínimo doasse 1 real a cada três meses para uma instituição de caridade e saísse dizendo que sua parte estava feita. Independentemente se ele jogasse lixo no chão, tomasse banhos de duas horas diárias e desperdiçasse alimentos!
Mais. Quanto será que a Coca-Cola está investindo em montagens de campanhas, agências, criação, pontos de venda, espaços em TV, rádio, impressos? Muito mais do que será arrecadado.
Então porque não simplesmente destinar esse outro montante (mais significativo) para projetos socioambientais?
E mais um detalhezinho: não vamos nos esquecer que a Coca-Cola também apóiam os jogos do genocídio, né?
É assustador o número de condomínios residências que apelam para o “venha morar ao lado do parque...”, um bosque privativo inteiro pra você e sua família...“, muito verde e ar puro...”!
Falácia das mais pobres e inverossímeis! Um bosque privativo é tudo, menos meio ambiente. A pressão exercida pelo efeito de borda desses condomínios sobre os parques que os cercam é análoga à pressão exercida sob o pescoço de um homem na forca!
Esses condomínios colaboram para a degradação do ambiente urbano, enganam seus clientes sem ao menos tomar iniciativas simples como projetos de ecodesign, baratos e eficientes.
Atenção CONAR!
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Tenha dias mais verdes!!
criado por Leandro
12:25:48