Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

7/8/07

A Copa do Mundo, o Meio Ambiente e o celular

Em 1970, o povo brasileiro invadiu as ruas e cantou: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção…”. Era, como este 2006, ano de copa. Só que agora, se criarem uma marchinha temática, o refrão terá de entoar “185 milhões em ação…”.
Os números não deixam dúvidas. A população brasileira que demorou 470 anos para alcançar a marca de 90 milhões de pessoas, em apenas 36 anos mais do que dobrou. Esse fenômeno demográfico nacional não é isolado. O mundo todo observa a progressão das populações de forma geométrica, e o que é pior, num planeta que não tem mais pra onde crescer.
Simultaneamente temos notado, ao longo das últimas décadas, a consolidação do sistema capitalista, que em sua essência visa um desenvolvimento quantitativo de pessoas e instituições, uma espécie de ditadura do mais, promovendo um padrão de vida incompatível com a realidade.
Sim, porque se todos os habitantes do Planeta Terra vivessem consumindo o mesmo que se consome nos países ricos seriam necessárias, no que se refere a recursos e espaço, quatro planetas iguais a este em que você mora.
São bilhões de pessoas ávidas por tecnologia, muitas vezes de utilidade duvidável, que buscam freneticamente um carro mais novo, uma casa mais confortável, comida rápida, celulares mais sofisticados…
Todos esses bens trazem consigo pesados ônus para o meio ambiente. Veja por exemplo o caso dos aparelhos celulares. Uma das maiores empresas de telefonia do Brasil acaba de atingir a marca de 30 milhões de clientes. Nada menos de trinta milhões de pessoas carregando uma cápsula de metais, poluentes que possivelmente irão parar na natureza, até mesmo por falta de informação.
Este espaço, portanto, pretende debater soluções realmente viáveis para evitar que a perigosa combinação entre crescimento populacional e o consumo desenfreado venha a produzir sua explosão.
Há saída. E ela depende muito mais de mim e de você do que de qualquer país ou governante.Basta nos livrarmos, mesmo que isso possa parecer doloroso, desse inconsciente consumista que nos aflige. Ao menos tentemos o crescimento qualitativo que ambientalistas vêm defendendo ferrenhamente.
Ah, temos uma boa notícia: ninguém vai ter de abrir mão da nossa inseparável tecnologia. Basta sabermos utilizá-la.

Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:39 — Arquivado em: Socioambientalismo

Os Riscos e as Oportunidades da Urbanização

Recentemente o UNFPA (Fundo de Populações das Nações Unidas) divulgou um relatório (http://www.onu-brasil.org.br) sobre as concentrações das populações no mundo todo e apresentou um dado realmente relevante.
Em 2007, pela primeira vez na história da humanidade, a população urbana se igualou à população rural.
Esse relatório trás algumas conclusões muito interessantes, a saber: o fenômeno de urbanização mundial é inevitável; os maiores índices de crescimento urbano são observados em cidades médias, não em grande metrópoles; o principal fator de crescimento não são os movimentos de migração, mas a expansão vegetativa das cidades (maior número de nascimentos do que de óbitos).
E o mais importante: a concentração é melhor para o meio ambiente do que a dispersão das populações e, a pobreza é maior em áreas rurais.
Esse estudo mostra, portanto, que esse fenômeno pode vir acompanhado de benefícios socioambientais importantíssimos. Pode, mas isso é apenas uma possibilidade, não uma certeza.
Os assentamentos urbanos, que hoje abrigam 3,3 bilhões de pessoas, ocupam uma área que corresponde a 2,8% do território global. Sendo assim, é evidente que a exploração direta de ecossistemas diminui, favorecendo sua manutenção e recuperação.
Outra questão positiva da urbanização é que fugir da pobreza e ascender socialmente é mais fácil em centros urbanos do que no meio rural, ainda que para isso a população mais humilde tenha que superar onerosos obstáculos.
Mas esses benefícios podem não ocorrer, primeiro porque a população mundial saltará, em 2050, para 9 bilhões de seres humanos que precisam de alimento, vestuário, abrigo, remédios, água, e um sem número de outros recursos naturais.
Segundo porque essa ascensão social não pode ser entendida como um simples aumento quantitativo de bens e de posses. Os padrões de consumo da classe média e alta são sabidamente insustentáveis e atingirão níveis catastróficos se essa nova população emergente se beneficiar dos mesmos confortos almejados hoje.
Costumo dizer que as palavras risco e oportunidade caminham juntas, lado a lado, e esse é um bom exemplo. Cabe a sociedade cobrar as políticas públicas cabíveis para evitarmos o colapso urbano, e mais ainda: nunca foi tão importante, e essa responsabilidade e diretamente proporcional ao aumento da população mundial, que revejamos nossos comportamentos de consumo.
Tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    16:35 — Arquivado em: Socioambientalismo

Depredação Ambiental e Social

Desde que este espaço vem sendo publicado, por diversas vezes a relação entre meio ambiente e sociedade veio à tona não por acaso.
Para os ambientalistas, não é a simples proteção aos recursos naturais ou o salvamento do Planeta Terra que está em jogo. Não estamos falando de proteger determinadas espécies da flora e da fauna, não estamos falando apenas em estabilizar o degelo de nossos pólos nem mesmo estamos tão somente lutando contra o desaparecimento da Mata Atlântica.
A convivência harmoniosa da humanidade com o Meio Ambiente deve ser entendida como uma ferramenta de modificação e de melhoria para a própria vida humana, caso contrário, pode representar perdas sociais irreparáveis e desastrosas.
Recentemente, um estudo elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do Ministério da Saúde apontou que as mortes por homicídios no Brasil concentram-se em 556 de 5.560 municípios brasileiros, ou seja, cerca de 10%. Dos 48.345 óbitos por esta causa registrado em 2004, 34.712 – mais de dois terços – aconteceram nessas cidades. De acordo com o estudo, baseado em dados de 1994 a 2004, isso mostra um crescimento da violência no interior do país, e não só nas grandes capitais e regiões metropolitanas.
A partir dessa pesquisa, a Agência Brasil (www.agenciabrasil.gov.br) cruzou os dados obtidos com informações do Projeto Prodes – Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite e concluiu que dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento, 58 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no país.
A idéia foi identificar a relação entre o desmatamento e a violência nos municípios da Amazônia Brasileira. Para isso, foram analisados o Gráfico do Desflorestamento até 2005 e os 556 municípios com as maiores taxas de homicídios na população total. Essas cidades representam 10% dos municípios brasileiros, mas, em 2004, concentraram 71,8% do total de homicídios ocorridos no país.
Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão no Mato Grosso, 18 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão. Os estados do Acre e Tocantins aparecem com um município cada. Além disso, entre os 100 mais desmatados, 16 estão também entre os 100 municípios com maior números de assassinatos, incluindo o primeiro, o quinto e o oitavo lugares dessa lista: respectivamente, Colniza, São José do Xingu e Aripuanã, os três em Mato Grosso.
Quando teorias, mesmo que fidedignas e apresentadas de forma ordenada são expostas e idéias são lançadas, muitos ainda teimam em desacreditá-las. Mas, quando conseguimos chegar a números, quando alcançamos dados quantitativos, abandonamos o campo da ignorância e nesse caso não levar em consideração informações importantes como esta, só pode representar um completo descaso pela questão.
O Meio Ambiente, assim como o Esporte, a Cultura e a Educação são as mais eficazes ferramentas para curarmos a doenças sociais, só que um meio ambiente doente inviabiliza a utilização das demais.
A violência é gerada pela disputa por recursos naturais, como o ferro e o aço do seu carro eventualmente roubado e o plástico e a borracha do tênis almejado pelo assaltante. Manter as florestas em pé é sinônimo de economia e extrair racionalmente seus recursos, incluindo nesse processo as comunidades tradicionais e os povos locais, é o melhor antibiótico contra ao “micróbios” da depredação socioambiental.
Pense nisso e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:32 — Arquivado em: Socioambientalismo
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