Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

11/9/08

Pense ECO para ser ECO

No mês de setembro, a Revista Página 22, publicação da FGV – Gvces, trouxe uma excelente matéria sobre o movimento socioambientalismo.

Buscando a opinião de diferentes lideranças, as colaboradoras Flavia Pardini, Amália Safatle e Carolina Derivi, esmiuçaram, além do famigerado histórico do movimento que pauta o início de qualquer explanação sobre meio ambiente e ambientalismo, a atual situação deste e os novos rumos que devem ser tomados nos próximos anos.

Interessante ter lido essas informações no mesmo mês em que compareci à Mostra Fecomércio de Sustentabilidade, evento em que Giovanni Barontinni, da Fábrica Éthica, foi convidado a palestrar.

Inicio assim esta coluna, pois, além de nesses dois casos a essência da postura ecologicamente correta, da sustentabilidade, do tripple botton line terem sido exploradas, de forma bastantes críticas, diga-se de passagem, outra questão veio à tona.

O que é preciso para anexar ao seu modo de vida, ao seu produto, ou à sua casa o prefixo “eco”? Esse termo, junto com os demais acima citados, ainda demonstra realmente o conceito sobre o qual foram cunhados? Perdemos o foco e agora o movimento verde (que alguns autores inclusive já tratam como movimento azul, verde brilhante ou verde escuro) corre risco de se resilir pelo próprio arcabouço que criou?

Quando me dei conta dessa nova complexidade que envolve a discussão ambiental, mesmo estando envolvido e atento ao que ocorre, percebi que realmente perderíamos terreno para as especulações e cairíamos duramente no lugar comum. Voltaremos a representar os retrógrados e reacionários “ambientalistas” caso não tragamos a todas as populações e ampliemos nossa área de influência de forma simples e objetiva.

Aí, bem neste ponto, Barontinni tira seu coelho da cartola.

Tecnologias, compensações, plástico, vidro, reciclar, diminuir, reutilizar, soja, biodiversidade???

A verdade é que para ser, basta fazer! Wilmar Berna, um exímio educador Ambiental do Rio de Janeiro, caracteriza essa modalidade educacional como a pedagogia da ação. Isso mesmo, a ação, o pensamento sobre a questão, descobrir modelos eficientes e eficazes, falar e discutir sobre sustentabilidade, ou como diz Iberê Thenório, meu amigo virtual: “A motivação está mais em propagar uma cultura de sustentabilidade do que no efeito prático de suas ações”.

Para ilustrar uma dessas ações, cito a questão das construções sustentáveis, empreendimentos que são pensados para serem construídos diminuindo o uso de recursos naturais e otimizando os gastos após a conclusão das obras.

Essas construções seguem regulamentação do LEED (Leardship in Energy and Environmental Design) selo criado pelo U.S. Green Building Concil para certificar empreendimentos que respeitam princípios de construção sustentável.

Há, dirão alguns teóricos, mas essa certificação não abrange a diminuição do consumo. A construção civil é uma atividade extremamente poluidora…

É verdade. Mas lembremo-nos de onde estamos, onde queremos chegar e da complexidade que criamos e que agora tende a nos engolir.

Façamos e pensemos no assunto. Já é um bom começo.

Clique aqui e assista o programa Cidades e Soluções, de André Trigueiro, que trata de Empreendimentos Sustentáveis.

Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:32 — Arquivado em: Gestão Ambiental Corporativa, Socioambientalismo

12/6/08

Quando Maggi é mais sustentável que Gore?

Tenho notado como tendência atual no campo da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável, que os agentes sociais, de qualquer esfera ou grandeza, encontraram uma forma maquiavélica e irresponsável de discurso e postura.
Essa tendência representa tudo àquilo que se abomina e que se quer abandonar no modelo antigo e ultrapassado, não só de desenvolvimento, mas de vida, de convivência, de existência.
O meio ambiente, graças aos avanços da ciência e do engajamento de pessoas centradas e, estas sim, visionárias, faz parte hoje de um grupo de posicionamentos sociais que determinam o caráter dos cidadãos, demonstram seus reais interesses e preocupações, despem suas carapuças e máscaras e, ao menos, dão pistas sobre se essas pessoas devem ou não serem levadas a sério. Ou à cadeia.
Quando questionado a tomar uma postura com relação ao meio ambiente, as pessoas reagem de forma semelhante á quando questionadas sobre preconceito, respeito, altruísmo e bom senso.
Conhece alguém, excetuando-se grupos de homo sapiens com desvios morais incompreensíveis, que alega ser preconceituoso? Tem contato com alguma pessoa que alega desrespeitar indiscriminadamente idosos ou mulheres? Já ouviu falar de alguém desprovido de bom senso? Aposto que não.
E, todos sabemos que o preconceito come solto na nossa sociedade, que idosos são roubados nas filas de saques de benefícios sociais, que pais estacionam seus carros em frente às escolas, mesmo que em lugar proibido, porque “é apenas por um minutinho!”
Ocorre hoje com as questões ambientais a mesma tendência. Poderia citar um caso de pessoa que não gosta, não respeita ou não tem apreço pela natureza? Alguém que sente-se orgulhoso por poluir água, ar ou solo? Aposto, novamente, que não.
No entanto, ao invés de nos concentrar-mos em efetivamente mudar, criar soluções, desenvolver mecanismos, agirmos, pegamos o que temos mais à mão, o que dá menos trabalho, enfim, aquilo que nos convém.
Só que entre o que convém a mim, e o que convém a você, leitor, provavelmente deve existir uma boa distância.
É por isso que essa tendência corre em direção oposta àquela desejada e possivelmente única, pois compartimentaliza e segmenta a sociedade mantendo-a exatamente como ela sempre foi.
Quando Lula defende os Biocombustíveis, álcool incluído, a ferro e fogo, e alega que o trabalho nos canaviais é duro, quando na verdade é ESCRAVIDÂO, ele esta seguindo esta tendência. Nada melhor do que tornar o Brasil uma potência energética não? Ao menos para o Presidente em exercício.
Quando empresas divulgam seus planos de sustentabilidade, seus resultados socioambientais, seus benefícios sociais e ao mesmo tempo dependem de um consumo crescente e perene, seguem também a tendência.
E o cidadão, iludido, segue também. Menos de 5% do lixo de São Paulo é reciclado. A reciclagem está anos luz da solução para a questão de resíduos sólidos e todos os problemas atrelados. Mas como falar de redução num panorama como esse?
Talvez, o que nos falte é o que sobra nas palavras e posturas criminosas e irresponsáveis do Sr. Blairo Maggi: coerência!
Aos que bradam sustentabilidade, por favor: inovação, contundência e acima de tudo: AÇÃO! Caso contrário continuaremos a correr na esteira.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:33 — Arquivado em: Socioambientalismo

14/5/08

Petróleo, refrigerantes, condomínios e outras ment

Em abril passado, o CONAR (Conselho de Auto-Regulação Publicitária) recomendou a suspensão de veiculação de duas campanhas da Petrobras por divulgarem a "idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país".

Essa iniciativa partiu de entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Greenpeace, o Movimento Nossa São Paulo e a SOS Mata Atlântica, entre outros.

Já conversamos neste espaço sobre o termo Green Wash que se refere a empresas que apenas pintam de verde sua fachada e saem bradando aos quatro ventos que são ECO, BIO, sustentáveis, ambientais, sociais e outras balelas.

A maioria das empresas continua sendo apenas empresas comuns. Com vislumbre inebriante de maiores lucros a qualquer custo, aumento de shares, grana no bolso de alguns.

A petrobras investe um montão de dinherios em meio ambiente podem dizer alguns. É verdade! E a Petrobras é co-responsável pela morte de 6.000 pessoas por ano, ao comercializar, em alguns casos, diesel com 40 vezes mais enxofre do que aquele comercializado na Europa.

Uma empresa que trabalha com combustíveis fósseis nunca, nunca, vai ser sustentável! É claro e límpido que ao extrair, refinar, transportar e comercializar um produto que causas desequilíbrios ambientais severos (mudanças climáticas) e problemas sociais ainda mais drásticos (problemas respiratórios, cânceres e mortes) a empresa perde apoio de dois eixos do chamado tripé da sustentabilidade.

Ah sim, o eixo restante é o econômico, aí sim a Petrobras é empresa de ponta!

Não é só a empresa petroleira que deveria tomar um safanão do CONAR. Tem muitos outros engraçadinhos por aí.

A Coca-Cola vai destinar parte das vendas de seus refrigerantes (algo em torno de 2 ou 3 centavos por garrafa) para o Instituto Coca-Cola. Entenderam? Tudo na cozinha. Sai da empresa e entra no Instituto.

Discussões à parte e partindo do princípio que o Instituto vai aplicar com sapiência e parcimônia os recursos obtidos, ainda assim existem pontas soltas muito interessantes.

O montante de arrecadação coma campanha de que estamos falando gira em torno de R$ 4 milhões. É mais ou menos como se uma pessoa que ganha um salário mínimo doasse 1 real a cada três meses para uma instituição de caridade e saísse dizendo que sua parte estava feita. Independentemente se ele jogasse lixo no chão, tomasse banhos de duas horas diárias e desperdiçasse alimentos!

Mais. Quanto será que a Coca-Cola está investindo em montagens de campanhas, agências, criação, pontos de venda, espaços em TV, rádio, impressos? Muito mais do que será arrecadado.

Então porque não simplesmente destinar esse outro montante (mais significativo) para projetos socioambientais?

E mais um detalhezinho: não vamos nos esquecer que a Coca-Cola também apóiam os jogos do genocídio, né?

É assustador o número de condomínios residências que apelam para o “venha morar ao lado do parque…”, um bosque privativo inteiro pra você e sua família…“, muito verde e ar puro…”!

Falácia das mais pobres e inverossímeis! Um bosque privativo é tudo, menos meio ambiente. A pressão exercida pelo efeito de borda desses condomínios sobre os parques que os cercam é análoga à pressão exercida sob o pescoço de um homem na forca!

Esses condomínios colaboram para a degradação do ambiente urbano, enganam seus clientes sem ao menos tomar iniciativas simples como projetos de ecodesign, baratos e eficientes.

Atenção CONAR!

Mais sobre o assunto acesse  Propaganda Sustentável
Para denunciar propagandas enganosas ou abusivas, clique aqui! 

Tenha dias mais verdes!!

15/4/08

Boicote aos jogos do genocídio.

Por Leandro Henrique e Fernanda Menezes

Os manifestos e boicotes contra as olimpíadas da China insurgem contra o tratamento político dado aos seus tibetanos, e ao uso abusivo dos recursos e serviços ambientais de mais um país de dimensões continentais, que tem a chance de focar um desenvolvimento diferenciado, a partir dos modelos de insucesso oferecido pelas nações recentes, chance esta que ainda poderia ser embalada pela da força de Estado que ainda persiste na estrutura de governo.

Isso tudo vem à tona, por agora, uma vez que as respostas do meio ambiente põem em risco a saúde dos atletas olímpicos, e a onda é aproveitada para clamar por todos os gritos.

Os contra-argumentos, a favor das olimpíadas, no entanto, buscam atingir um governo de políticas estratégicas, de longo prazo, que já fez as suas cruciais escolhas a mais ou menos trinta anos atrás.

A força motora das transformações de hoje tem outros nomes: capital, globalização, e está essencialmente pautada pelas grandes marcas, sediadas em cidades distantes dali. São estas mesmas marcas, as propulsoras dos jogos, que estendem a bandeira dos aros olímpicos, como uma coberta sobre a atuação de muitas delas naquele e em diversos outros países participantes do evento.

Coca Cola, McDonald’s, Visa, Adidas, General Electric e Volkswagen são algumas dessas marcas que, inequivocadamente, investiram mal seus preciosos dólares. É um exemplo claro de tiro no pé! Esse tipo de campanha tem objetivo de fortalecimento de marca e de agregação de valor institucional, e a comunidade internacional não recebe bem essa ligação entre as multinacionais e um governo ditatorial, autoritário e reacionário.

Essas empresas investiram o equivalente a 80 milhões de dólares para mostrar aos 4 bilhões de expectadores quão responsável e competente são. E vão mostrar exatamente o oposto: que não ligam a mínima para as questões ambientais e sociais, desde que garantam exposição nessa mídia excepcional e é claro, que não percam o mercado chinês de quase 1 bilhão e meio de “consumidores”.

Os gritos contra a inveja que se tem do crescimento vertiginoso da economia chinesa parecem inócuos. A próxima potência mundial inclusive em tecnologia de ponta, como dizem uns, só alcança seus objetivos por explorar inadvertidamente sua população e molestar com profundo desrespeito indiferença seus recursos naturais.

Que as empresas acima citadas não bradem em seus relatórios de sustentabilidade suas ações socioambientais, que não desenvolvam campanhas publicitárias lançando um “ECO” produto qualquer, fruto do devaneio de alguns executivos metidos a gestores ambientais. Que, enfim, pelo menos não sejam hipócritas porque mecanicistas e perversas elas já pagaram pra mostrar que são!

Acesse o sítio do Reportes sem Fronteiras, principal movimento contra as próximas Olimpíadas, e apóie a campanha contra os abusos cometidos na China.

Tenha dias mais verdes!!

15/10/07

Sobre a Internacionalização da Amazônia

Durante uma de minhas aulas no Curso Preuniv, citei este email que havia recebido.

Por curiosidade dos alunos, e também por ser um texto muito coeso e veemente, eu o reproduzo.

"Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF e ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr. Cristovam Buarque: ‘De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse Patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de Petróleo do mundo inteiro.

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.

Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.

Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris,Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria Pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

Crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.

Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. SÓ NOSSA!’ "

Nota: Queiram me desculpar, mas não sei a fonte original. Caso a conheçam favor avisar.

criado por lh_henrique    13:19 — Arquivado em: Socioambientalismo

21/9/07

Severn Cullis Suzuki

Durante a ECO-92 uma garota de 12 anos surgiu na bancada de discussões e simplesmente arrasou com a hipocrisia e prepotência com que a maioria dos presentes tratavam o encontro e os temas nele abordados.

A sutileza vista em seu rosto contrastava com a dureza expressa em suas palavras. O vídeo com seu discurso virou tema de aulas de ecologia e meio ambiente, argumentações em outros debates, fonte de inspiração e ferramenta de convencimento.

A garota, hoje com 28 anos, chama-se Severn Cullis-Suzuki  e é uma ativista social e ambiental canadense que luta pela defesa do meio ambiente e populações carentes.   Membro ativo do painel consultivo especial sobre meio ambiente das Nações Unidas, tem feito palestras pelo mundo inteiro e defendido, como defendeu na ECO 92, a importância de redefinir nossos valores, de agir pensando nas conseqüências futuras e de ouvir as crianças.
Fundou o projeto Skyfish, um portal na internet que incentiva a juventude a falar sobre seu futuro e adotar um estilo de vida sustentável. Cullis-Suzuki formou-se em Ciência e Ecologia na Unviersidade de Yale e recentemente terminou seu mestrado em Etnobotânica.

Clique sobre a foto para assistir o discurso.

Fonte: http://www.abesco.com.br/datarobot/

criado por lh_henrique    16:48 — Arquivado em: Socioambientalismo

10/8/07

Dia Mundial do Meio Ambiente

No dia 5 de Junho comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Há realmente o que se comemorar? Sim, sem dúvidas há.
Primeiro pelo comprometimento que a mídia tem apresentado em relação a essa questão. Nunca ouvimos falar tanto sobre aquecimento global, diversidade biológica, recursos hídricos, desmatamento…
Os meios de comunicação começam a apresentar comentaristas e espaços especializados, os espectadores tem participado do debate emitindo opinião, levando dúvidas e apresentando seus pontos de vista. E isso é muito importante para o movimento ambientalista tendo em vista as recomendações para que esse envolvimento evolua ainda mais.
Outro fato que deve ser comemorado é o crescimento e ampliação do Terceiro Setor. Ongs e Oscips vêm trabalhando seriamente transformando o joio em trigo. Extraem riquezas de comunidades pobres, espalham vida em regiões devastadas, sempre com muito trabalho, criatividade e competência técnica.
Até mesmo no setor governamental é possível ver alguns traços de ponderação, mas nesse segmento as coisas andam morosa e lentamente.
Apesar dos esforços louváveis de nossa Ministra de Meio Ambiente, que vem criando Áreas de Proteção Ambiental e batendo o pé nos licenciamentos, a fim de preservar o patrimônio natural, os donos do poder continuam seguindo a linha do “projeto bom é projeto que da visibilidade” e continuam entre outros equívocos, querendo transpor o Rio São Francisco ao invés de revitalizá-lo e mais ainda, querem diminuir a área da Amazônia Legal para ampliar as áreas de agricultura e pecuária.
Há que se considerar também os esforços dos cientistas. Estes gigantes da linha de frente do movimento socioambientalista lutam apresentando dados cada vez mais relevantes e fidedignos aos tomadores de decisão. E estes últimos não têm alternativa senão aceitar sua parcela de culpa e responsabilidade.
Essa é a essência metodológica da questão. O envolvimento e a troca de expectativas e ambições das partes sociais.
Mas não é a essência filosófica. Não podemos perder o foco e devemos aceitar definitivamente que o que está em jogo não é a sobrevivência do planeta, mas a sobrevivência de nossa espécie, o homo sapiens.
Precisamos ter certeza e acreditar que os meios de comunicação estão veiculando esse tema não pela audiência, mas por preocupação e vontade de mudar. Precisamos acreditar que as empresas possam apoiar Ongs não pela visibilidade institucional, mas pelo amor às crianças. Precisamos crer que os governos proporão projetos para o futuro sadio e sustentável, não pela simples quantidade de votos na próxima eleição.
Esse é o passo que devemos dar agora, e para isso precisamos de mais pessoas envolvidas. O que está faltando nesse momento é o aumento do comprometimento da sociedade civil organizada. Assim podemos chegar à essência filosófica, pressionando governos, instituições privadas, apoiando o terceiro setor e prestigiando os trabalhos científicos.
Ainda há tempo, um valioso tempo que não pode ser desperdiçado. Junte-se ao movimento socioambientalista, seja voluntário, seja crítico e participativo e tenha um ótimo dia Mundial do Meio Ambiente!!

criado por lh_henrique    17:20 — Arquivado em: Socioambientalismo

Crescer pra quê? Crescer pra onde?

 É época de eleição. É tempo de mudar o Brasil, de propor centenas de projetos, teorias e maneiras de resolver os problemas nacionais.
Chegou a hora de escolhermos, dentre centenas de propostas, aquelas que julgamos serem as melhores no que diz respeito à saúde pública, à violência, à diminuição das desigualdades sociais e ao desenvolvimento econômico.
Ah, o desenvolvimento econômico, segundo nossos representantes e aspirantes a cargos públicos, a salvação da humanidade! Para eles, somente com grandes obras de infraestrutura conseguiremos gerar emprego e renda que por sua vez melhorarão o poder de compra da população e, então teremos mais arrecadação fiscal e mais investimentos em infraestrutura. O ciclo da salvação.
Os candidatos apenas divergem em quanto e como serão feitos esses investimentos.
Para não dizer que estão agindo de má fé, prefiro apenas acreditar que os políticos e economistas encontram-se em um estágio de letargia que os impede de raciocinar com inteligência e que os leva a criar teorias suicidas como essas que vemos nas propagandas eleitorais.
O crescimento econômico infinito não é possível e, por si só nunca irá resolver os problemas socioambientais. A economia não pode crescer tanto quanto cresce a população. Sempre haverá um déficit crescente de empregos.
Isso sem falar na restrição física, ou seja, na quantidade de recursos naturais disponíveis, que também não suportarão uma exploração crescente e perpétua.
Se desenvolvimento econômico fosse sinônimo de melhoria de qualidade de vida e diminuição dos abismos sociais, os Estados Unidos não teriam destruído 95% das suas reservas florestais, e os países ricos não teriam 12% das suas populações vivendo abaixo da linha da pobreza.
Outro exemplo muito contundente em relação a esse fato é o caso da China. Nossos representantes almejam crescer em proporções eqüitativas àquelas observadas no citado País, mas não observam que esse crescimento é baseado em uma ditadura e que lá o meio ambiente está sendo degradado da mesma forma como foi nos países ricos de hoje.
E por aqui o que se ouve, em relação aos orientais, é um misto de ansiedade e êxtase que beira a inveja.
Não precisamos ir longe para observar esse fenômeno. Em Macaé (RJ), com a chegada da Petrobrás e seus milhões de dólares a cidade ao invés de prosperar, foi polarizada.
Uma parte da cidade abriga funcionários do alto escalão da multinacional brasileira além de técnicos e outros profissionais estrangeiros que chegaram à cidade.
Do outro lado, houve um processo maciço de favelização impulsionado pela exclusão de moradores locais não aproveitados como funcionários pela empresa e outros tantos que para lá migraram em busca de oportunidades.
O resultado é óbvio: Segregação social, discriminação racial, pobreza, violência e degradação do meio ambiente.
Esse é o tal desenvolvimento econômico que estamos buscando?
Não podemos mais aceitar que a pobreza (de pessoas e Países) banque a riqueza de uns poucos. Não podemos acreditar que nos desenvolvendo iremos acabar com a terrível e desumana condição de vida em que vive a maioria da população do planeta, tampouco que o meio ambiente será capaz de suportar a constante e progressiva exploração de seus recursos.
Pense bem, vote com consciência e tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    17:14 — Arquivado em: Socioambientalismo

Quando foi a última vez que você tomou chuva?

Geralmente quando pergunto aos meus alunos e amigos o que é meio ambiente, eles dizem, sem sombra de dúvida: ora, meio ambiente são os animais, as plantas, os rios e os mares. Aí eu digo, e ecossistema? A resposta: ecossistema é a Mata Atlântica, a Amazônia, a Savana…
Legal. E o ser humano? E as cidades? Não fazem parte do meio ambiente, nem constituem ecossistemas?
Ao longo do processo de evolução, o homem criou sistemas paralelos ao ECOssistema. São estruturas artificiais que fazem com que a população humana não se veja dentro do ambiente, mas perifericamente, ou ainda superiormente.
Ah, não acredita? Então me responda, qual foi a última vez que tomou banho de chuva? Não uma chuvinha qualquer, estou falando daquelas que molham as roupas de baixo! Faz tempo né?
Não estamos mais sujeitos às variações climáticas, não sabemos em qual fase da lua ou estação do ano estamos. Mas por outro lado, sabemos a cotação do dólar e quais são os candidatos à presidência.
Alberto Prado Díaz, em seu livro “Educação Ambiental como Projeto”, chama esses sistemas paralelos de esferas e as nomeia como Biosfera, Sociosfera e Tecnosfera. O atrito causado entre essas esferas, ou, entre a sociedade, as tecnologias e o meio ambiente, são as causas de todos os problemas socioambientais. Ou seja, as esferas construídas pelo homem acabam se colocando acima da única esfera natural.
Se pararmos pra pensar, em algum lugar do passado longínquo, nossos ancestrais tomavam muito mais banhos de chuva, ou seja, estavam muito mais em contato com o meio ambiente. A sociedade contemporânea afastou-se desse ambiente, e passou a olhar a natureza sob um prisma de fim de semana, de férias e não do dia a dia.
Por que as teorias econômicas, por exemplo, não consideram a capacidade de suporte da natureza já que tudo o que vemos a nossa volta, inclusive nós mesmos, somos parte dela? Será que ninguém parou pra pensar que o crescimento econômico indefinido não é a solução para os problemas sociais, uma vez que é sabido que o ambiente não suportará?
A única forma de alcançarmos uma sociedade mais justa e sã é mudarmos esse paradigma. Não conseguiremos voltar aos níveis antigos de crescimento e desenvolvimento, isso causaria uma catástrofe ainda maior. Mas temos a obrigação de pelo menos pensar em estagnar, dividir renda. Dados apontam que os 500 bilionários do mundo detêm metade da riqueza do Planeta. Não te parece injusto?
É esse problema que o socioambientalismo se propõe a estudar. Essa separação incompreensível entre o homem e seu meio. Da terra viemos e para ela voltaremos, não é mesmo? Então, a matéria que te constitui um dia também já foi mar, ou atmosfera, ou quem sabe parte de uma barata!
Então, o que temos para propor é que você tome mais banhos de chuva, seja mais justo e tolerante, e não pense que todo ambientalista é aquele ecochato, ou ecoxiita, como já fui chamado algumas vezes. Nossa teoria tem fundamentação, e, se nos propusemos a travar essa batalha, é porque acreditamos na humanidade e amamos nossos iguais e as outras espécies que estão, juntamente conosco, nesta maravilhosa experiência que é viver.
Até que nossos átomos voltem para o seu lugar de origem, que é a biosfera!
Tenha dias mais verdes!!
Sugestão para leitura: Ecoeconomia – uma nova abordagem. Ed. Lazuli. Hugo Penteado

criado por lh_henrique    17:13 — Arquivado em: Socioambientalismo

Método Ambiental

“Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem”.
Foi assim que certa vez, um de meus mestres iniciou sua aula de Estatística aplicada à Gestão Ambiental, parafraseando Decartes, ele pretendia divagar sobre consciência ambiental e de cidadania.
Confesso que à época, até mesmo por já conhecer e admirar o pensador citado, passei muito tempo pensando nos elos que existiam entre a questão ambiental e o bom senso; entre a devastação absurda da Amazônia e a ganância arrogante daqueles que a devassam, entre o crescimento da altamente indústria poluidora-automotiva e o consumo absurdamente crescente de veículos de passeio pesados e “sujos”; entre as pseudo-descobertas farmacêuticas e o desrespeito com o saber local e tradicional.
Digo isso porque o texto de Decartes continua da seguinte forma:
“E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas”.
Ser ponderado sempre foi uma das qualidades que mais busco, e assim o farei dessa vez. Refletir e ajudar o meio ambiente é uma forma de se pensar, é uma razão, um caminho com muitos outros. Mas confesso não conhecer um mais sensato.
Nós desejamos uma indústria automobilística, mas queremos investimentos pesados em tecnologias limpas e neutralizadas;
Precisamos e queremos madeira, até mesmo para decoração, mas queremos que ela traga consigo benefícios sociais pra quem a extrae, e não trabalho escravo;
Precisamos muito de medicamentos, mas não queremos pagar royaltys estratosféricos por princípios ativos encontrados em nosso País.
Então deixo o filófoso concluir:
“Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam”.
Talvez por isso, o ambientalismo ainda crie tanta polêmica ao mesmo tempo que luta em prol da totalidade, da inclusão, do compartilhamento e da solidariedade.
É coisa pra filosofar!
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:48 — Arquivado em: Socioambientalismo
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Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.