Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

14/5/08

Petróleo, refrigerantes, condomínios e outras ment

Em abril passado, o CONAR (Conselho de Auto-Regulação Publicitária) recomendou a suspensão de veiculação de duas campanhas da Petrobras por divulgarem a "idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país".

Essa iniciativa partiu de entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Greenpeace, o Movimento Nossa São Paulo e a SOS Mata Atlântica, entre outros.

Já conversamos neste espaço sobre o termo Green Wash que se refere a empresas que apenas pintam de verde sua fachada e saem bradando aos quatro ventos que são ECO, BIO, sustentáveis, ambientais, sociais e outras balelas.

A maioria das empresas continua sendo apenas empresas comuns. Com vislumbre inebriante de maiores lucros a qualquer custo, aumento de shares, grana no bolso de alguns.

A petrobras investe um montão de dinherios em meio ambiente podem dizer alguns. É verdade! E a Petrobras é co-responsável pela morte de 6.000 pessoas por ano, ao comercializar, em alguns casos, diesel com 40 vezes mais enxofre do que aquele comercializado na Europa.

Uma empresa que trabalha com combustíveis fósseis nunca, nunca, vai ser sustentável! É claro e límpido que ao extrair, refinar, transportar e comercializar um produto que causas desequilíbrios ambientais severos (mudanças climáticas) e problemas sociais ainda mais drásticos (problemas respiratórios, cânceres e mortes) a empresa perde apoio de dois eixos do chamado tripé da sustentabilidade.

Ah sim, o eixo restante é o econômico, aí sim a Petrobras é empresa de ponta!

Não é só a empresa petroleira que deveria tomar um safanão do CONAR. Tem muitos outros engraçadinhos por aí.

A Coca-Cola vai destinar parte das vendas de seus refrigerantes (algo em torno de 2 ou 3 centavos por garrafa) para o Instituto Coca-Cola. Entenderam? Tudo na cozinha. Sai da empresa e entra no Instituto.

Discussões à parte e partindo do princípio que o Instituto vai aplicar com sapiência e parcimônia os recursos obtidos, ainda assim existem pontas soltas muito interessantes.

O montante de arrecadação coma campanha de que estamos falando gira em torno de R$ 4 milhões. É mais ou menos como se uma pessoa que ganha um salário mínimo doasse 1 real a cada três meses para uma instituição de caridade e saísse dizendo que sua parte estava feita. Independentemente se ele jogasse lixo no chão, tomasse banhos de duas horas diárias e desperdiçasse alimentos!

Mais. Quanto será que a Coca-Cola está investindo em montagens de campanhas, agências, criação, pontos de venda, espaços em TV, rádio, impressos? Muito mais do que será arrecadado.

Então porque não simplesmente destinar esse outro montante (mais significativo) para projetos socioambientais?

E mais um detalhezinho: não vamos nos esquecer que a Coca-Cola também apóiam os jogos do genocídio, né?

É assustador o número de condomínios residências que apelam para o “venha morar ao lado do parque…”, um bosque privativo inteiro pra você e sua família…“, muito verde e ar puro…”!

Falácia das mais pobres e inverossímeis! Um bosque privativo é tudo, menos meio ambiente. A pressão exercida pelo efeito de borda desses condomínios sobre os parques que os cercam é análoga à pressão exercida sob o pescoço de um homem na forca!

Esses condomínios colaboram para a degradação do ambiente urbano, enganam seus clientes sem ao menos tomar iniciativas simples como projetos de ecodesign, baratos e eficientes.

Atenção CONAR!

Mais sobre o assunto acesse  Propaganda Sustentável
Para denunciar propagandas enganosas ou abusivas, clique aqui! 

Tenha dias mais verdes!!

15/4/08

Boicote aos jogos do genocídio.

Por Leandro Henrique e Fernanda Menezes

Os manifestos e boicotes contra as olimpíadas da China insurgem contra o tratamento político dado aos seus tibetanos, e ao uso abusivo dos recursos e serviços ambientais de mais um país de dimensões continentais, que tem a chance de focar um desenvolvimento diferenciado, a partir dos modelos de insucesso oferecido pelas nações recentes, chance esta que ainda poderia ser embalada pela da força de Estado que ainda persiste na estrutura de governo.

Isso tudo vem à tona, por agora, uma vez que as respostas do meio ambiente põem em risco a saúde dos atletas olímpicos, e a onda é aproveitada para clamar por todos os gritos.

Os contra-argumentos, a favor das olimpíadas, no entanto, buscam atingir um governo de políticas estratégicas, de longo prazo, que já fez as suas cruciais escolhas a mais ou menos trinta anos atrás.

A força motora das transformações de hoje tem outros nomes: capital, globalização, e está essencialmente pautada pelas grandes marcas, sediadas em cidades distantes dali. São estas mesmas marcas, as propulsoras dos jogos, que estendem a bandeira dos aros olímpicos, como uma coberta sobre a atuação de muitas delas naquele e em diversos outros países participantes do evento.

Coca Cola, McDonald’s, Visa, Adidas, General Electric e Volkswagen são algumas dessas marcas que, inequivocadamente, investiram mal seus preciosos dólares. É um exemplo claro de tiro no pé! Esse tipo de campanha tem objetivo de fortalecimento de marca e de agregação de valor institucional, e a comunidade internacional não recebe bem essa ligação entre as multinacionais e um governo ditatorial, autoritário e reacionário.

Essas empresas investiram o equivalente a 80 milhões de dólares para mostrar aos 4 bilhões de expectadores quão responsável e competente são. E vão mostrar exatamente o oposto: que não ligam a mínima para as questões ambientais e sociais, desde que garantam exposição nessa mídia excepcional e é claro, que não percam o mercado chinês de quase 1 bilhão e meio de “consumidores”.

Os gritos contra a inveja que se tem do crescimento vertiginoso da economia chinesa parecem inócuos. A próxima potência mundial inclusive em tecnologia de ponta, como dizem uns, só alcança seus objetivos por explorar inadvertidamente sua população e molestar com profundo desrespeito indiferença seus recursos naturais.

Que as empresas acima citadas não bradem em seus relatórios de sustentabilidade suas ações socioambientais, que não desenvolvam campanhas publicitárias lançando um “ECO” produto qualquer, fruto do devaneio de alguns executivos metidos a gestores ambientais. Que, enfim, pelo menos não sejam hipócritas porque mecanicistas e perversas elas já pagaram pra mostrar que são!

Acesse o sítio do Reportes sem Fronteiras, principal movimento contra as próximas Olimpíadas, e apóie a campanha contra os abusos cometidos na China.

Tenha dias mais verdes!!

12/3/08

Contundência contra a falácia tecnológica/mercado

No dia 2 de março de 2008, a Folha de São Paulo publicou matéria intitulada “Poluição piora na Grande São Paulo e migra para o Interior e litoral”.
Isso mesmo, apesar de todos os esforços, muitos dos quais citados neste espaço, de ONG’s, Institutos Públicos da mais alta confiabilidade e órgãos internacionais, o ciclo de melhoria na qualidade do ar na região da Grande São Paulo encerrou-se.
É difícil assimilar essa realidade. Mas ao mesmo tempo, notícias como essa renovam e endossam o tom contundente que devemos ter quando abordamos questões sócioambientais.
Ficar comemorando pseudomelhorias ou achar que devido ao aumento do debate acerca de tais problemas encerram-se e resolvem-se as discussões é realmente um tiro no pé, uma bravata inaceitável de quem não está disposto a mover-se em direção a solidariedade ou de quem está muito preocupado com coisas mais importantes, como seus investimentos e negócios.
Há ainda um outro ponto importantíssimo subscrito na matéria: A CETESB, segundo o jornal, afirma que “estão esgotados os mecanismos que vinham sendo adotados para controlar a poluição, como a tecnologia que tornou os automóveis menos poluentes e a adoção do rodízio de veículos”.
A tecnologia não é solução para nossos problemas, é alternativa em curto prazo!
E esse imbróglio vai ainda mais longe. O ciclo de melhorias da qualidade do ar, que iniciou-se em 2002, findou-se agora principalmente pelo aquecimento da economia que fez a frota de veículos em São Paulo atingir a marca de 6 milhões de unidades do produto sedentas por combustível. Portanto, também não podemos firmar nossas esperanças no crescimento econômico, como querem muitos, para melhorar nossa qualidade de vida.
Triste matéria reveladora e necessária.
E por falar em combustíveis, cabe uma crítica bastante pertinente àquela empresa, orgulho dos tecnicistas, figurante dos mais respeitáveis índices de credibilidade e desempenho econômico, a PETROBRÁS. Você, por acaso sabia que esta estimada empresa pública fabrica diesel com 10 vezes mais enxofre do que o recomendado? Pois é, e a única justificativa encontrada pela citada é de que o combustível não é o único causador da poluição e dos problemas a ela relacionados. Então está tudo bem, né? Já que “os outros” cometem imprudências estamos autorizados a também fazer. Parece piada.
É como disse o Sr. Maurício Tolmasquin, da Empresa de Pesquisas Energéticas, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, quando indagado sobre se as reservas descobertas em Tupi não aumentariam as emissões de Gases do Efeito Estufa. Na ocasião, ele negou, justificando que grande parte do combustível seria exportada. Pra onde?? Deveria estar se referindo a Marte ou outro planeta qualquer, já que o Aquecimento é GLOBAL e as emissões dos compradores dos nossos combustíveis também afetaram os brasileiros da mesma forma como os combustíveis queimados aqui afetam cidadãos de Jaú.
Se não mudarmos nossa forma de viver, sim, nossa foram de realizar todas as coisas do dia a dia, deixaremos uma herança maldita para nossos descendentes.
E estamos falando sim em economizar recursos, em tomar banhos mais rápidos, em abrir mão de comprar vinte celulares por ano, em usar menos o carro, enfim, estamos falando em mudar. E acredite: isso é possível, nós só temos que derrubar algumas posições conservadoras daqueles que hoje vivem bem as nossas custas.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:05 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

30/1/08

O Natimorto Protocolo de Quioto

Dentre os vários fenômenos que podemos observar em nosso planeta, entre eles a formação da vida, dependência entre as espécies e sistemas orgânicos, encontramos o Efeito Estufa. A concentração de gases bem acima de nossas cabeças atua como uma manta que nos aquece e mantém a temperatura da Terra em níveis estáveis, muito embora de maneira irregular ao longo da superfície.
Note, pois, que o Efeito Estufa formado naturalmente é mais que benéfico, é vital! Ocorre que ao longo dos anos e guiado por um mentiroso padrão medidor de satisfação humana, o modo de vida do Homo Sapiens injetou nesse complexo, incrível e sensível sistema bilhões de toneladas de gases (gases de Efeito Estufa – GEE) que naturalmente não ocorriam na natureza.
È como se você dormisse de meias, cachecol, polainas, gorro e cacharrel com edredons e cobertas numa noite de janeiro em Salvador!
São concebidos então os termos mudanças climáticas e aquecimento global, efeitos meteorológicos que caso negligenciados podem determinar, pela primeira vez em quase 6 bilhões de anos, o fim de uma espécie em função de sua própria existência.
A urgência da questão aliada ao empenho de cientistas (e não à vontade e articulação política como podem pensar alguns) fez com que a partir de 1995, por meio da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) e seu órgão supremo, a Convenção das Partes (COP) ocorresse a mobilização no sentido de se buscar alternativas e soluções à emergente questão.
Eis que em 1997, dois anos depois, em Quioto no Japão é proclamada a salvação: o Protocolo de Quioto e seus Mecanismos de Flexibilização.
Afora o ganho de causa e o fortalecimento do movimento e conscientização internacional, o Protocolo de Quioto é um lindo bebê natimorto!
Do ponto de Vista do Protocolo em si, cabe a voraz crítica sobre o fato de os países em desenvolvimento, muitos com taxas de crescimento elevadas e com matriz energética comprometedora, simplesmente terem sido isentos de implementar políticas de controle e redução de emissões .
Sem contar o fato de que a redução prevista, de 5% em relação aos níveis da década de 1990, é simplesmente ridícula perto da urgência requerida. Soma-se ainda a falta de adesão, compensada pelo recente ingresso da Austrália, mas que ainda não tem a “honra” de contar com os ilustríssimos estadosunidenses.
Mas o mais grave são os mecanismos estabelecidos no Protocolo dos quais depende a vida de quase todos os habitantes deste planeta. Baseados no mesmo raciocínio cartesiano e quantitativo que nos trouxe até aqui, a solução ideal encontrada foi a de quantificar e fazer valer “dinheiros” as iniciativas positivas no combate às mudanças climáticas.
Todos os mecanismos desenvolvidos para por em prática as determinações do Protocolo tem viés comercial. Implementação conjunta, comércio de emissões e o famoso (?) Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
A idéia é simples e há quem dica que surgiu em terras tupiniquins: quem reduzir suas emissões (países em desenvolvimento basicamente) pode comercializar essa redução em forma de créditos aos países que não querem reduzir (os ricos).
Não sei a você nobre leitor, mas a mim soa como uma licença para poluir!
Parece-me apenas que com esses mecanismos conseguimos atender o interesse de todos os governos, mas não dos governados. Se realmente fosse um plano inteligente, aqui no Brasil onde a derrubada de florestas é a maior emissora de GEE, a Amazônia estaria começando a reerguer-se e não sendo covardemente destruída sob protestos dos generosos e benfeitores produtores de grãos e carne.
E agrada também o nosso mandatário oficce-boy da ONU, Sr. Lula, que vem mangueando recursos com seus patrões e no seu entendimento de planejamento estratégico energético constrói megausinas a custos ambientais altíssimos ao invés de revitalizar as antigas, reativa termelétricas, subjuga os funcionários públicos que trabalham com preservação (leia-se IBAMA) e desconfia (sob sua prepotência de quem tudo sabe ou nada sabe com lhe convir) dos técnicos do Inpe.
Transformar preservação em mercadoria irá inevitavelmente gerar corrupção, especulação e mais devastação.
Que pelo menos o debate sobre o sucessor do finado Protocolo seja mais inteligente e menos demagogo.

criado por lh_henrique    14:19 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

30/11/07

Equívoco Conceitual

Recentemente o Sr. Maurício Tolmasquim, Presidente da Empresa de Pesquisa Energética – EPE – disse à Folha de São Paulo que o petróleo de Tupi não influirá nas emissões brasileiras (de gases do efeito estufa).
A estupidez conceitual, com a qual compartilhou o jornal, é um exemplo claro do quão distante estamos do enfrentamento efetivamente comprometido e engajado das mudanças climáticas e de todas as outras mudanças substancialmente perigosas por que vêm passando o ambiente natural.
A EPE, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, é mais um exemplo de órgãos governamentais que tem algo, ou muito, há ver com o ambiente e simplesmente transformam a questão em joguete político.
Qualquer aluno do ensino fundamental sabe que o aquecimento é GLOBAL, e o fato de o Brasil exportar seu excedente não livra o povo nordestino do futuro seco e incerto. Não livra também os agricultores familiares do sul do Brasil, que amarguram perdas irreparáveis com as faltas de chuvas e com, quem diria, tempestades tropicais.
È um descalabro prestar tamanho desfavor ao debate com vistas ao corporativismo e fisiologismo político, principalmente considerando o aumento de 45% na geração de GEE atribuídas ao Brasil nos últimos nove anos, os últimos relatórios do IPCC que afirmam ser inócuos os esforços de redução de acordo com o Protocolo de Quioto e o óbvio Lulante não querendo assumir suas (nossas) responsabilidades em Bali.
Obrigado por poluir deliberadamente o debate Sr. Tolmasquim!

 

Aprendi a observar o trabalho de Tolmasquim e da EPE atravé do Blog do Luiz Prado. Vale a pena conferir os textos dele.

criado por lh_henrique    10:44 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

21/9/07

Mudanças do clima, mudanças de vidas.

Este filme do Greeenpeace é um excelente material para sensibilização e educação.

Assista, comente e repasse!

Clique aqui para assistir o filme.

criado por lh_henrique    11:19 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

10/8/07

Aquecimento econômico global

O aquecimento global é um fenômeno físico – químico que tem assolado nosso Planeta nas últimas décadas.
Trata-se de um processo de elevação da temperatura global em função do aumento da concentração de gases retentores de calor na atmosfera terrestre. Esses gases têm suas origens em duas principais fontes de emissão: a queima de combustíveis fósseis (o carvão, o petróleo e seus derivados) e os desmatamentos.
Em 1950, o mundo lançava 1,6 bilhão de toneladas desses compostos na atmosfera. Em 2000 passamos a emitir 6,3 bilhões. Com toda essa quantidade de poluentes, a Terra recebe energia luminosa do Sol, a transforma em energia térmica, mas não consegue dissipá-la de volta para o espaço.
Não é preciso dizer que os efeitos são devastadores: ondas recordes de calor, elevação dos níveis dos oceanos, alteração nos processos de precipitação, perda de diversidade biológica, tempestades e furacões cada vez mais destruidores.
Entre 1920 e 1970, houve 40 tempestades por ano; entre 1985 e 2000 esse índice subiu para 80. Um número bastante esclarecedor sobre a ligação entre aquecimento global e ocorrência de furacões e tornados, mas que é inadmissívelmente ignorado por governantes.
Isso sim é um entrave para o desenvolvimento econômico. Bilhões de dólares são gastos, anualmente e de forma crescente, com realocação de comunidades desabrigadas, perda de safras, furacões e desastres ecológicos oriundos desse processo.
E o que é pior, estamos fazendo muito pouco para impedir esse processo. Mais e mais gases são lançados na atmosfera e os desmatamentos continuam acontecendo de forma expressiva, apesar das recentes quedas nas taxas.
Há soluções para que não tenhamos que enfrentar um colapso social, econômico e ambiental. Uma delas é a mudança na matriz energética, baseada no carbono e que rege o mundo atual, para uma outra baseada no hidrogênio e em outras fontes renováveis.
Investir em tecnologia energética limpa e renovável é uma oportunidade única de alcançar desenvolvimento e crescer de forma sustentável, na medida em que novos postos de trabalho seriam criados, novas empresas surgiriam e em locais desfavorecidos.
Estudos recentes afirmam que as regiões que hoje apresentam temperaturas mais elevadas, são aquelas que mais sofrerão com os efeitos do aquecimento global. Catastroficamente essas regiões são também as mais pobres do globo e entre elas estão a África e nosso nordeste
Sem infra-estrutura e sem recursos, os efeitos de uma elevação da já alta temperatura nessas regiões pode significar a morte de milhões de pessoas e, tanto no nordeste como na África, seria perfeitamente viável a construção, por exemplo, de usinas de energia eólica. Tendo energia disponível é muito mais plausível que uma região se desenvolva.
E mais. Desvincular a demanda por petróleo dos apontadores de crescimento pode, inclusive, diminuir conflitos armados, principalmente no oriente médio.
Outra solução é pessoal, e depende da iniciativa de cada um. Utilize seu veículo de maneira mais consciente. Se todos nós deixássemos nossos carros um dia por semana na garagem, haveria uma diminuição de quase 15% nas emissões de gases nocivos, além disso, procure manter o motor de seu carro regulado. Procure também comprar madeira com origem certificada, isso evita que você adquira um produto de contrabando ou tráfico.
Recentemente nosso ilustríssimo presidente reeleito afirmou ser dos ambientalistas e do ministério público a culpa pelo baixo crescimento do Brasil. Se travar o crescimento significa ir contra uma política energética retrógrada, ineficiente e injusta, confesso que realmente sou um entrave.
Mas há alternativas e esse fato é incontestável. Há fontes de energia limpa cujas tecnologias para extração, transporte e utilização já são utilizadas há décadas e que não são um investimento maior do que àquele assistencialista destinado à vítimas de catástrofes cada vez menos naturais.
As travas do desenvolvimento estão associadas, antes de tudo, à corrupção, à morosidade e ao egoísmo de pessoas que insistem em declarar que um novo mundo não pode existir. NÃO ACREDITE NELAS! Continue lutando e FAÇA SUA PARTE!
Se você quiser saber mais sobre o assunto, acesse www.uma.org.br e baixe, gratuitamente o livro Eco-economia: construindo uma economia para a Terra, de Lester Brown.
Boa leitura e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    17:19 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

7/8/07

O Dualismo do IPCC

Nos últimos tempos todos nós ouvimos muito os termos aquecimento global e efeito estufa.
Isso se deve ao fato que ter sido divulgado, no início do mês de fevereiro, o relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
O IPCC surgiu em 1988 por iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e é considerado a mais alta autoridade científica no que diz respeito ao Aquecimento Global.
Os resultados divulgados após 6 anos de estudos e que contou com a participação de dois mil e quinhentos cientistas de 130 países não podiam ser piores.
Em capas de revistas, noticiários, no rádio e até mesmo na mídia segmentada, o que se lia, mesmo que subliminarmente, era: “o aquecimento global é pior do que imaginávamos”.
Os cientistas concluíraram, dentre outras coisas, que a temperatura da Terra pode subir entre 1,8 e 4 graus até 2100 e que o nível dos oceanos pode aumentar em até 43 centímetros no mesmo período.
Ainda neste relatório, os pesquisadores concluíram que há 90% de chances desses fenômenos serem causados pela ação humana.
Apesar de ser considerado conservador por parte de parcela da comunidade científica, as estatísticas alarmantes divulgadas chegam em boa hora, senão vejamos:
É nítido que a apresentação desses dados irá causa inquietação e inconveniências aos países que ainda se recusam a controlar as emissões dos poluentes causadores do efeito estufa, chefes de estado apressam-se em apresentar propostas e proferir discursos pró Meio Ambiente. George Bush, quem diria, chegou a anunciar que pretende fazer esforços para diminuir em 20% o consumo de gasolina nos Estados Unidos.
Com a divulgação desse trabalho, abandonamos o campo da especulação e aderimos ao da ciência. Deixamos para trás a demagogia e tomamos posse do bom censo.
Por essa razão, o movimento socioambientalista ganha força. Nossas reivindicações terão de ser consideradas com mais sensibilidade e respeito. Iremos ver um aumento expressivo nos programas e projetos de educação, gestão e tecnologias ambientais de que tanto precisamos.
O debate está posto, os argumentos estão aí. Fica claro que avançamos na questão, torcendo para que as próximas respostas venham de maneira igualmente rápida e dinâmica, tal qual ocorre com a depredação e respostas naturais.
A luta continua dura, empresas petrolíferas estão contratando cientistas para contestar o Relatório e há ainda quem não acredite nos fatos.
Agora que essas discussões atingiram os governos e as grandes corporações, esperamos que o assunto continue em pauta e a tão aguardada mobilização e organização social emirja.
Se você deseja fazer sua parte, acesse www.myfootprint.org. Lá você poderá calcular o quanto usa da natureza para realizar suas atividades diárias e poderá saber também o que fazer para neutralizar essas atividades.
Até mais e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:29 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas
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