Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

12/6/08

Quando Maggi é mais sustentável que Gore?

Tenho notado como tendência atual no campo da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável, que os agentes sociais, de qualquer esfera ou grandeza, encontraram uma forma maquiavélica e irresponsável de discurso e postura.
Essa tendência representa tudo àquilo que se abomina e que se quer abandonar no modelo antigo e ultrapassado, não só de desenvolvimento, mas de vida, de convivência, de existência.
O meio ambiente, graças aos avanços da ciência e do engajamento de pessoas centradas e, estas sim, visionárias, faz parte hoje de um grupo de posicionamentos sociais que determinam o caráter dos cidadãos, demonstram seus reais interesses e preocupações, despem suas carapuças e máscaras e, ao menos, dão pistas sobre se essas pessoas devem ou não serem levadas a sério. Ou à cadeia.
Quando questionado a tomar uma postura com relação ao meio ambiente, as pessoas reagem de forma semelhante á quando questionadas sobre preconceito, respeito, altruísmo e bom senso.
Conhece alguém, excetuando-se grupos de homo sapiens com desvios morais incompreensíveis, que alega ser preconceituoso? Tem contato com alguma pessoa que alega desrespeitar indiscriminadamente idosos ou mulheres? Já ouviu falar de alguém desprovido de bom senso? Aposto que não.
E, todos sabemos que o preconceito come solto na nossa sociedade, que idosos são roubados nas filas de saques de benefícios sociais, que pais estacionam seus carros em frente às escolas, mesmo que em lugar proibido, porque “é apenas por um minutinho!”
Ocorre hoje com as questões ambientais a mesma tendência. Poderia citar um caso de pessoa que não gosta, não respeita ou não tem apreço pela natureza? Alguém que sente-se orgulhoso por poluir água, ar ou solo? Aposto, novamente, que não.
No entanto, ao invés de nos concentrar-mos em efetivamente mudar, criar soluções, desenvolver mecanismos, agirmos, pegamos o que temos mais à mão, o que dá menos trabalho, enfim, aquilo que nos convém.
Só que entre o que convém a mim, e o que convém a você, leitor, provavelmente deve existir uma boa distância.
É por isso que essa tendência corre em direção oposta àquela desejada e possivelmente única, pois compartimentaliza e segmenta a sociedade mantendo-a exatamente como ela sempre foi.
Quando Lula defende os Biocombustíveis, álcool incluído, a ferro e fogo, e alega que o trabalho nos canaviais é duro, quando na verdade é ESCRAVIDÂO, ele esta seguindo esta tendência. Nada melhor do que tornar o Brasil uma potência energética não? Ao menos para o Presidente em exercício.
Quando empresas divulgam seus planos de sustentabilidade, seus resultados socioambientais, seus benefícios sociais e ao mesmo tempo dependem de um consumo crescente e perene, seguem também a tendência.
E o cidadão, iludido, segue também. Menos de 5% do lixo de São Paulo é reciclado. A reciclagem está anos luz da solução para a questão de resíduos sólidos e todos os problemas atrelados. Mas como falar de redução num panorama como esse?
Talvez, o que nos falte é o que sobra nas palavras e posturas criminosas e irresponsáveis do Sr. Blairo Maggi: coerência!
Aos que bradam sustentabilidade, por favor: inovação, contundência e acima de tudo: AÇÃO! Caso contrário continuaremos a correr na esteira.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:33 — Arquivado em: Socioambientalismo

4 Comentários »

  1. Comentário por Rodrigo Novo — 16 de junho de 2008 @ 18:11

    Fortes tendencias em prol da auto destruição, mas tudo acontece sem querer. É exigido da sociedade uma solução consciente, porque, afinal, somos sapiens, somos pensantes e racionais. Animais racionais. Mas ainda sim animais. Uma espécie bem sucedida é aquela que consegue se reproduzir e produzir uma prole que consiga levar o seu legado até onde for o seu destino. E com isso aprender com o tempo e superar os obstaculos da natureza (bióticos e abióticos). O homem esqueceu de onde veio, ou, o que ele é. Somos bicho e competimos com tudo e todos. Comemos como se fosse o ultimo dia. E queremos tudo que puder-mos ter. Se dessemos a mesma oportunidade que o homem tem a qualquer outro ser vivo, ele fará o mesmo.

  2. Comentário por Iberê Thenório — 8 de julho de 2008 @ 14:22

    Poisé… Sustentabilidade quando convém. Acho que o nosso papel, enquanto cidadãos, é pressionar as empresas para tornar a não-sustentabilidade inviável comercialmente. Seja boicotando produtos, seja pressionando bancos a não financiarem empreendimentos destrutivos.

  3. Comentário por Adilson — 16 de julho de 2008 @ 9:58

    Ótima materia Leandro!

  4. Comentário por Elaine Azevedo — 23 de setembro de 2008 @ 14:58

    Matéria muito bem colocada,diria também :Bom senso.
    Elaine Azevedo

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