30/1/08
O Natimorto Protocolo de Quioto
Dentre os vários fenômenos que podemos observar em nosso planeta, entre eles a formação da vida, dependência entre as espécies e sistemas orgânicos, encontramos o Efeito Estufa. A concentração de gases bem acima de nossas cabeças atua como uma manta que nos aquece e mantém a temperatura da Terra em níveis estáveis, muito embora de maneira irregular ao longo da superfície.
Note, pois, que o Efeito Estufa formado naturalmente é mais que benéfico, é vital! Ocorre que ao longo dos anos e guiado por um mentiroso padrão medidor de satisfação humana, o modo de vida do Homo Sapiens injetou nesse complexo, incrível e sensível sistema bilhões de toneladas de gases (gases de Efeito Estufa – GEE) que naturalmente não ocorriam na natureza.
È como se você dormisse de meias, cachecol, polainas, gorro e cacharrel com edredons e cobertas numa noite de janeiro em Salvador!
São concebidos então os termos mudanças climáticas e aquecimento global, efeitos meteorológicos que caso negligenciados podem determinar, pela primeira vez em quase 6 bilhões de anos, o fim de uma espécie em função de sua própria existência.
A urgência da questão aliada ao empenho de cientistas (e não à vontade e articulação política como podem pensar alguns) fez com que a partir de 1995, por meio da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) e seu órgão supremo, a Convenção das Partes (COP) ocorresse a mobilização no sentido de se buscar alternativas e soluções à emergente questão.
Eis que em 1997, dois anos depois, em Quioto no Japão é proclamada a salvação: o Protocolo de Quioto e seus Mecanismos de Flexibilização.
Afora o ganho de causa e o fortalecimento do movimento e conscientização internacional, o Protocolo de Quioto é um lindo bebê natimorto!
Do ponto de Vista do Protocolo em si, cabe a voraz crítica sobre o fato de os países em desenvolvimento, muitos com taxas de crescimento elevadas e com matriz energética comprometedora, simplesmente terem sido isentos de implementar políticas de controle e redução de emissões .
Sem contar o fato de que a redução prevista, de 5% em relação aos níveis da década de 1990, é simplesmente ridícula perto da urgência requerida. Soma-se ainda a falta de adesão, compensada pelo recente ingresso da Austrália, mas que ainda não tem a “honra” de contar com os ilustríssimos estadosunidenses.
Mas o mais grave são os mecanismos estabelecidos no Protocolo dos quais depende a vida de quase todos os habitantes deste planeta. Baseados no mesmo raciocínio cartesiano e quantitativo que nos trouxe até aqui, a solução ideal encontrada foi a de quantificar e fazer valer “dinheiros” as iniciativas positivas no combate às mudanças climáticas.
Todos os mecanismos desenvolvidos para por em prática as determinações do Protocolo tem viés comercial. Implementação conjunta, comércio de emissões e o famoso (?) Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
A idéia é simples e há quem dica que surgiu em terras tupiniquins: quem reduzir suas emissões (países em desenvolvimento basicamente) pode comercializar essa redução em forma de créditos aos países que não querem reduzir (os ricos).
Não sei a você nobre leitor, mas a mim soa como uma licença para poluir!
Parece-me apenas que com esses mecanismos conseguimos atender o interesse de todos os governos, mas não dos governados. Se realmente fosse um plano inteligente, aqui no Brasil onde a derrubada de florestas é a maior emissora de GEE, a Amazônia estaria começando a reerguer-se e não sendo covardemente destruída sob protestos dos generosos e benfeitores produtores de grãos e carne.
E agrada também o nosso mandatário oficce-boy da ONU, Sr. Lula, que vem mangueando recursos com seus patrões e no seu entendimento de planejamento estratégico energético constrói megausinas a custos ambientais altíssimos ao invés de revitalizar as antigas, reativa termelétricas, subjuga os funcionários públicos que trabalham com preservação (leia-se IBAMA) e desconfia (sob sua prepotência de quem tudo sabe ou nada sabe com lhe convir) dos técnicos do Inpe.
Transformar preservação em mercadoria irá inevitavelmente gerar corrupção, especulação e mais devastação.
Que pelo menos o debate sobre o sucessor do finado Protocolo seja mais inteligente e menos demagogo.
criado por lh_henrique
14:19 — Arquivado em: 

Comentário por Efraim Neto — 1 de março de 2008 @ 20:25
Ótimo texto. É importante gerar um discussão desse nÃvel. Tantas outras iniciativas só ficam no papel, enquanto que boa parte da população, a parte mais pobre, sofre cada vez mais com as conseqüências dessa desigualdade socioambiental.
Parabéns