21/11/07
RSE
É possível afirmar que a Responsabilidade Social Empresarial teve seu embrião germinado nos idos da década de 1920.
Com foco assistencialista e com visão de filantropia, as empresas após desenvolverem seus vistosos impérios investiam na construção de hospitais, universidades, museus, bibliotecas e igrejas ou, em outros casos, estruturavam comunidades inteiras nos arredores de seus domínios.
Dar o peixe a quem tem fome parecia ser a maior expressão de altruísmo e de demonstração de bom caráter.
Hoje muita coisa mudou em relação ao papel social da empresa o que, na minha opinião, decorre da metamorfose por que vêm passando os papéis de todos os outros grupos sociais.
O mundo atual é baseado na informação e principalmente na capacidade e facilidade que a maioria tem de transmitir informações. É, portanto, um mundo conectado; É ainda um mundo interdependente, globalizado; E é, antes de tudo um mundo em perigo, assediado socioambientalmente por seguidas gerações.
É nesse contexto de competição global, informação, desenvolvimento vertiginoso do terceiro setor, nas novas concepções de cidadania, direito, deveres e noções de ética e moral que a nova face da Responsabilidade Sócio Empresarial (RSE) vem se aperfeiçoando.
Ensinar a pescar parece ser o objetivo.
A RSE é um benchmark de Boa Gestão Empresarial, introduz a visão Sustentável em detrimento da Cartesiana, dando ênfase na cooperação, na qualidade, na participação, e no bem estar;
Como prática cotidiana desse novo modelo de gestão, devem-se observar a transparência, o compromisso ético e seu repúdio a corrupção. Enfim, as corporações estão sendo cobradas na sua responsabilidade frente à sociedade, em vista disso, um bom modelo de RSE é aquele onde a gestão está voltada para os stakeholders.
Não é simples atuar com foco na responsabilidade social. Um sem número de variáveis e variações têm de ser determinados e sua negligência pode descaracterizar uma grande idéia ou uma meta legítima.
É preciso afirmar que os modelos de RSE atuais são aqueles que englobam a questão dos Direitos Humanos, do Voluntariado, da Saúde e Segurança no Trabalho, do Meio Ambiente e da Acessibilidade e Inclusão Social.
É a partir da análise cuidadosa desses fatores que a Boa Gestão propõe possibilidades para as tomadas de decisão estratégica e operacionais, tendo ainda em mente, o melhor equilíbrio possível do tripé da sustentabilidade.
Como todo processo de Gestão, a RSE tem ferramentas e programas específicos, dentre os quais destacam-se os Indicadores de Sustentabilidade (Exemplos como ISE – BOVESPA, ETHOS), bancos de dados de órgãos públicos e do terceiro setor, Certificações, Legislação e os Rattings (SERASA).
Um exemplo que ilustra bem essa evolução e movimentação das partes sociais, incluída aí a empresa, e o caso da Klabin, empresa que foi foco de manifestações num período chave da história do movimento socioambiental.
Inaugurada em 1972, a então Borregaard, tornou-se ícone de poluição industrial e a cidade de Guaíba (RS) ficou conhecida pelo cheiro de ovo podre, como disse Fernando Almeida (em O bom Negócio da Sustentabilidade), espalhado pela empresa no ar.
A Fiesp à época acusava de psicóticos os ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAM), enquanto uma CPI recomendava a suspensão imediata das atividades da empresa.
Na década de 1980 mudou de nome para Riocell e já não emitia mais mau cheiro; na década seguinte foco dos ambientalistas foi a emissão de efluentes e, mais uma vez a empresa se viu às voltas com pressões sociais e políticas e teve de estabelecer metas de controle de poluição.
Hoje, a empresa rebatizada de Klabin Riocell S./A. é uma das primeiras empresas a participar do Inventário de Poluentes Orgânicos Persistentes.
Poder de mobilização e informação, mudanças de paradigma éticos, morais e sobre direitos e deveres foram os combustíveis que moveram esse caso; readequação de produtos, processos, relacionamentos e ferramentas foram os escudos e as benéficas armas utilizadas pela empresa para sobreviver.
A determinação de sucesso ou fracasso empresarial tem forte argumento em como a empresa vê a RSE. Uma Boa Governança traz, para a empresa, benefícios intangíveis, como fortalecimento de marca e fidelização de clientes (indispensável com o aumento da concorrência mundial) e, tangíveis quando não perde funcionários excepcionais, não tem de pagar taxas e tributos e tem seus profissionais cada vez mais produtivos.
Ignorar seus princípios pode significar prejuízos sufocantes.
Isso já foi assimilado e está sendo praticado.
Mas qual será o futuro da Boa Gestão?
É cuidar dos rios e do bem estar da população para que os peixes estejam sempre a sua disposição, para esta e para as futuras gerações.
Afora o descaso do Poder Público que enxerga nas empresas fontes de receita, não parceiros sociais; afora a pobreza de projetos de grande porte seriamente engajados tanto academicamente como comercialmente, o que espanta os grandes grupos de investidores sociais, acredito que a resposta proativa básica e desejada é que o empreendedor vá além da legislação, que incorpore obrigações sociais.
Responsabilizar é exigir comprovação de legitimidade, neste caso, exigir que as empresas provem seu valor e sua importância social, e que essa relevância da empresa para a sociedade seja mais do que a simples geração de empregos.
criado por lh_henrique
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Comentário por Iberê Thenório — 26 de novembro de 2007 @ 23:34
Poisé, Leandro… Muita coisa mudou, mas ainda tem muita gente por aà que confunde RSE com investimento social privado: há empresas extremamente danosas à sociedade e ao meio ambiente que tentam compensar seu impacto com ações que não têm nada a ver com o seu mercado ou com sua cadeia produtiva…
Espero que realmente as pessoas comecem a tomar consciência de qual é a importância social de determinadas empresas para a sociedade.