Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

9/11/07

Quem não se comunica …

Em outubro último, o Jornal Folha de São Paulo divulgou sua pesquisa anual denominada Top of Mind.
O Grupo entrevistou 5541 brasileiros que responderam à seguinte pergunta: “Qual é a primeira marca que lhe vem à cabeça?”, e em seguida foram questionados sobre as marcas de 40 diferentes categorias de produtos e serviços.
Pelo primeiro ano o estudo contou com a categoria “Preservação do Meio Ambiente”, e o resultado foi bastante interessante.
63% dos entrevistados simplesmente não souberam citar nenhuma marca relacionada ao tema. Entre os quatro primeiros mais citados, um órgão público (IBAMA) e um do terceiro setor (Greenpeace).
Deixando de lado o debate sobre a eficiência e relevância da pesquisa (em termos de publicidade e mercado), tem-se uma boa impressão sobre o que pensam e como vêm atuando de forma equivocada os executivos responsáveis por processos de Comunicação Ambiental Corporativa no Brasil.
Este mesmo jornal, um dia antes da publicação da pesquisa trouxe matéria intitulada “Empresas falham na divulgação de projetos”. No texto, o colaborador André Palhano, cita a incapacidade dos Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC’s) em transmitir informações precisas a seus consumidores quando o assunto é responsabilidade socioambiental. Paradoxal não?
Recentemente li no blog Atitude Verde, de Iberê Thenório, um texto parecido. Ele ligou para os SAC’s de alguns fabricantes de óleo de cozinha perguntando o que fazer com o produto após o uso. Resultado: apenas duas empresas forneceram indicação sobre destinação correta do resíduo.
Duas conclusões óbvias: os processos de comunicação ambiental praticados por companhias nacionais atualmente desrespeitam o princípio básico da via de mão dupla. Eles te respondem, contanto que seja algo que eles queiram responder; e, essa constatação só prejudica a empresa, tendo em vista a clara impressão de que seus esforços são estritamente marqueteiros, não socioambientais.
Uma empresa que desenvolve projetos sérios e efetivos parte de dentro, seus funcionários são os primeiros a saber sobre os programas, criticam-no, fazem acontecer. Saberiam informar!
John Elkington e Jodie Thorpe da Sustainability, publicaram na revista Época Negócios, de Setembro/07, texto explanando sobre o termo “GreenWash” tido por ambientalistas como a definição para empresas que assim se portam. Elas deliberadamente pintam sua fachada de verde, com tinta de segunda, para esconder o acinzentado interior.
Mas o que causa essa correria, de onde vem essa aflição em demonstrar seus “resultados”? Segundo Savitz e Weber em seu livro A Empresa Sustentável muito disso tem a ver com o comportamento do consumidor, mais especificamente com o poder de mobilização que adquiriu nas últimas décadas aproveitando-se de um mundo mais liberal, conectado, interdependente e, acima de tudo, em perigo.
Prefiro achar que os CEO’s e Chairmans estão apenas enganados ao tentar ludibriar seus consumidores quando estes apresentam-se mais fortes e coesos, ou que estão aprendendo a trabalhar com essa nova demanda. Mas é bom que fiquem atentos: pesquisa IBOPE Sustentabilidade revelou que 46% dos entrevistados acreditam que as empresas que desenvolvem ações sociais e ambientais fazem isso somente como estratégia de marketing, o que significa atirar no próprio pé em termos de imagem e valor intangível.
A Comunicação Ambiental Corporativa não deve ser entendida como investimento em criação e veiculação de mensagens que a empresa julgue interessante divulgar. Tem de ser uma demonstração clara e sincera de um importante objetivo traçado e alcançado, mesmo que parcialmente, por meio de um esforço substancial em busca de um mundo mais sadio e igual.
Tenha dias sempre verdes!!

Mais link:

10 Dicas de Comunicação Ambiental – Jornal do Meio Ambiente

 

Referência

SAVITZ, A.W, WEBER, K. A Empresa Sustentável - O verdadeiro sucesso é o lucro com responsabilidade social e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

criado por lh_henrique    12:17 — Arquivado em: Gestão Ambiental Corporativa

6 Comentários »

  1. Comentário por Iberê — 10 de novembro de 2007 @ 18:54

    Fiquei pensando um bom tempo e não consegui encontrar nenhuma marca empresarial que eu associaria sem medo ao meio ambiente. Lembrei-me do Greenpeace, do Ibama, da National Geographic… Mas empresas, tenho muita desconfiança delas.

    O Banco Real, por exemplo, usa papel reciclado, espalha postos de coleta de pilhas, pinta tudo verde, mas nega financiamento a empreendimentos que prejudiquem o meio ambiente? Não sei.

  2. Comentário por Claudia — 11 de novembro de 2007 @ 21:25

    Excelente post!
    Gostei muito do seu blog! :)
    Iberê, o Real nao financia projetos que nao sao ambientalmente legalizados, eles fazem várias exigencias para conceder o financiamento, inclusive eles até deixaram de fazer negocio com madereiras ilegas qdo comecou com sua politica de sustentabililidade.

  3. Comentário por Leandro Henrique — 12 de novembro de 2007 @ 12:50

    Iberê,

    Tive a mesma idéia. Que empresas o pessoal engajado citaria como Top Of Mind Ambiental? Tem aquela, a … não, essa emite carbono demais! ah, mas e o grupo… não nem é utiliza mão de obra infantil! mas tem as organizações… putz derramamento de petróleo nao dá né? acho que estamos no caminho, mas pra ficar ruim ainda tem que melhorar muito.
    Obrigado pelo comentário e até mais!!

  4. Comentário por Carolina Derivi — 12 de novembro de 2007 @ 15:27

    Oi Leandro. Agradeço a visita!
    Você já está nos meus favoritos há algum tempo…aliás, muito bom esse último post! abs.

  5. Comentário por JTA — 17 de novembro de 2007 @ 1:17

    Olá… gostei do blog e tomei a liberdade de lincá-lo no meu http://progressoverde.blogspot.com/... gostaria que visitasse e divulgasse meu link também… abraços…

  6. Comentário por Fabio Barros — 18 de agosto de 2009 @ 14:26

    FUTURO DA BARRA DA TIJUCA SERÁ
    DEBATIDO NO SHERATON BARRA
    Políticos, ambientalistas, empresários e entidades civis
    participam do Encontro “Barra Sustentável — Ainda há tempo”

    Reciclagem, neutralização de emissão de carbono, energias alternativas e “green building”. A sociedade corre contra o tempo para colocar em prática conceitos fundamentais na Era da sustentabilidade. Atento e adequado ao novo modelo de desenvolvimento socioeconômico e ambiental, o Sheraton Barra Hotel & Suítes quer contribuir para o debate do tema. No próximo dia 25 de agosto, das 8h às 12h30, o hotel promove o evento “Encontro Barra Sustentável – Ainda há Tempo”. O ciclo de palestras e debates reunirá no Salão Atlântico políticos, ambientalistas, empresários e entidades civis do bairro para criação de meios que garantam o futuro sustentável da região.
    Nos anos 60, a Barra da Tijuca era um imenso areal com mais de 25 quilômetros de praia. O início da ocupação se deu com o loteamento do Jardim Oceânico, quando foi elaborado o Plano Piloto de Lúcio Costa, em 1969. Mas foi em meados dos anos 70, com a inauguração da Auto-Estrada Lagoa Barra que houve a transformação da região com a construção dos condomínios Atlântico Sul, Nova Ipanema, Novo Leblon, Barramares e Riviera Del Fiori. Ainda neste período surgem dois pontos comerciais importantes para o desenvolvimento econômico: o Carrefour e o Barrashopping.
    Na década de 80 ocorreu a urbanização da Avenida Sernambetiba, tornando a orla um dos espaços mais cobiçados da cidade. No início dos anos 90, duas grandes intervenções urbanas foram imprescindíveis para a consolidação do desenvolvimento da Barra: as duplicações das Avenidas da Américas e Ayrton Senna, que criaram dois grandes corredores viários e melhoraram o acesso e a circulação interna do bairro.
    Em janeiro de 1998, entrava em operação a Linha Amarela acelerando o desenvolvimento econômico da região. Com a via expressa encurtaram-se as distâncias entre a Barra e o Centro, os aeroportos e as entradas e saídas da cidade. O bairro tornou-se atrativo para empresas que começaram a mudar suas sedes para o local. E como todo lugar que se desenvolve, problemas surgem. Além de falta de investimento em transporte, o meio ambiente também foi afetado. E é por isso que o Sheraton Barra decidiu debater o tema.
    A iniciativa é da rede Starwood, operadora do Sheraton Barra, além de outros 1.000 hotéis ao redor do mundo, que criou o Projeto Verde para desafiar seus afiliados a crescer economicamente sobre princípios do desenvolvimento sustentável, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e garantindo a sustentabilidade do negócio. A gerente geral do hotel, Sintia Gomes, abre o evento e, em sua explanação, pretende passar ao público a visão da empresa sobre a necessidade de fomentar a discussão do tema, além de apresentar as iniciativas da rede Starwood e do hotel.
    — Desde a criação do Projeto Verde o compromisso com o ambiente e com as futuras gerações passou a orientar as ações do Sheraton Barra. Esse fórum é o inicio de um processo que garantirá o futuro do nosso negócio. Sabemos que sem ambiente é impossível lucrar e o empresariado deve lucrar com responsabilidade. Os formadores de opinião da Barra da Tijuca e de toda a cidade ganharam um aliado eterno — afirma Sintia Gomes, gerente Geral do Sheraton Barra
    Em seguida, o biólogo Mario Moscatelli, mestre em ecologia e editor do Blog Boca do Mangue — que conhece como poucos os problemas ambientais do bairro e, especialmente, o degradado sistema lagunar da região — inicia o ciclo de debates com o tema “A sustentabilidade como filosofia de vida e fator econômico estratégico”.

    — O que é, afinal, um bairro sustentável? A Barra da Tijuca tem condições de se tornar um bairro preparado? Ainda há tempo de reverter o quadro atual? — questiona Moscatelli, que já recuperou imensas áreas de manguezais no bairro, trazendo de volta a fauna e flora originárias da região.
    O ciclo segue com debates sobre a preservação dos ecossistemas, que contará com a participação do Secretário Municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz; do Diretor da ONG Terra Azul, Marcos Sant’Anna; e da vereadora Aspásia Camargo. Às 11 horas está programado o painel “Consumo consciente e Resíduos”, que será discutido pela Diretora do Instituto Reviverde, Regina Laginestra; e pelo Diretor Técnico e Industrial COMLURB, José Henrique Penido. O último tema é uma curiosa discussão sobre o papel do varejo no processo ambiental. Ambos assuntos serão mediados pela Professora de Sustentabilidade da FGV e editora do blog Amor ao Planeta, Patricia Sá.
    O encontro ainda conta com uma série de apoiadores. Entre eles estão a Unimed, ABIH — Associação Brasileira da Indústria de Hotéis –RJ, Rio Convention & Visitors Bureau, Acibarra — Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca, Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, AIB — Associação de Imprensa da Barra -, subprefeitura da Barra da Tijuca, Secretaria Municipal de Turismo do Rio de Janeiro, Vila Spa by L´Occitane e Wal-Mart.

    O evento é gratuito e as inscrições devem ser feitas através do site http://www.sheraton-barra.com.br/eventos/barrasustentavel.asp . O Sheraton Barra fica na Av. Lucio Costa, 3.150, Barra da Tijuca.

    Mais informações à imprensa: Approach – telefone (21) 3461-4616
    Fabio Barros (fabio.barros@approach.com.br) r. 139
    Tatiana Coura (tatianac@approach.com.br) r. 119

    Abraços,

    Fabio Barros

    (21) 3461-4616 - r. 139 / Cel (21) 9738-7353
    (11) 3846-5787
    (61) 3322-0082
    http://www.approach.com.br

    antes de imprimir, pense no meio ambiente

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