Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007

30.11.07

Equívoco Conceitual

Recentemente o Sr. Maurício Tolmasquim, Presidente da Empresa de Pesquisa Energética – EPE – disse à Folha de São Paulo que o petróleo de Tupi não influirá nas emissões brasileiras (de gases do efeito estufa).
A estupidez conceitual, com a qual compartilhou o jornal, é um exemplo claro do quão distante estamos do enfrentamento efetivamente comprometido e engajado das mudanças climáticas e de todas as outras mudanças substancialmente perigosas por que vêm passando o ambiente natural.
A EPE, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, é mais um exemplo de órgãos governamentais que tem algo, ou muito, há ver com o ambiente e simplesmente transformam a questão em joguete político.
Qualquer aluno do ensino fundamental sabe que o aquecimento é GLOBAL, e o fato de o Brasil exportar seu excedente não livra o povo nordestino do futuro seco e incerto. Não livra também os agricultores familiares do sul do Brasil, que amarguram perdas irreparáveis com as faltas de chuvas e com, quem diria, tempestades tropicais.
È um descalabro prestar tamanho desfavor ao debate com vistas ao corporativismo e fisiologismo político, principalmente considerando o aumento de 45% na geração de GEE atribuídas ao Brasil nos últimos nove anos, os últimos relatórios do IPCC que afirmam ser inócuos os esforços de redução de acordo com o Protocolo de Quioto e o óbvio Lulante não querendo assumir suas (nossas) responsabilidades em Bali.
Obrigado por poluir deliberadamente o debate Sr. Tolmasquim!

 

Aprendi a observar o trabalho de Tolmasquim e da EPE atravé do Blog do Luiz Prado. Vale a pena conferir os textos dele.

21.11.07

RSE

É possível afirmar que a Responsabilidade Social Empresarial teve seu embrião germinado nos idos da década de 1920.

Com foco assistencialista e com visão de filantropia, as empresas após desenvolverem seus vistosos impérios investiam na construção de hospitais, universidades, museus, bibliotecas e igrejas ou, em outros casos, estruturavam comunidades inteiras nos arredores de seus domínios.

Dar o peixe a quem tem fome parecia ser a maior expressão de altruísmo e de demonstração de bom caráter.


Hoje muita coisa mudou em relação ao papel social da empresa o que, na minha opinião, decorre da metamorfose por que vêm passando os papéis de todos os outros grupos sociais.

O mundo atual é baseado na informação e principalmente na capacidade e facilidade que a maioria tem de transmitir informações. É, portanto, um mundo conectado; É ainda um mundo interdependente, globalizado; E é, antes de tudo um mundo em perigo, assediado socioambientalmente por seguidas gerações.

É nesse contexto de competição global, informação, desenvolvimento vertiginoso do terceiro setor, nas novas concepções de cidadania, direito, deveres e noções de ética e moral que a nova face da Responsabilidade Sócio Empresarial (RSE) vem se aperfeiçoando.

Ensinar a pescar parece ser o objetivo.

A RSE é um benchmark de Boa Gestão Empresarial, introduz a visão Sustentável em detrimento da Cartesiana, dando ênfase na cooperação, na qualidade, na participação, e no bem estar;

Como prática cotidiana desse novo modelo de gestão, devem-se observar a transparência, o compromisso ético e seu repúdio a corrupção. Enfim, as corporações estão sendo cobradas na sua responsabilidade frente à sociedade, em vista disso, um bom modelo de RSE é aquele onde a gestão está voltada para os stakeholders.

Não é simples atuar com foco na responsabilidade social. Um sem número de variáveis e variações têm de ser determinados e sua negligência pode descaracterizar uma grande idéia ou uma meta legítima.

É preciso afirmar que os modelos de RSE atuais são aqueles que englobam a questão dos Direitos Humanos, do Voluntariado, da Saúde e Segurança no Trabalho, do Meio Ambiente e da Acessibilidade e Inclusão Social.

É a partir da análise cuidadosa desses fatores que a Boa Gestão propõe possibilidades para as tomadas de decisão estratégica e operacionais, tendo ainda em mente, o melhor equilíbrio possível do tripé da sustentabilidade.

Como todo processo de Gestão, a RSE tem ferramentas e programas específicos, dentre os quais destacam-se os Indicadores de Sustentabilidade (Exemplos como ISE – BOVESPA, ETHOS), bancos de dados de órgãos públicos e do terceiro setor, Certificações, Legislação e os Rattings (SERASA).

Um exemplo que ilustra bem essa evolução e movimentação das partes sociais, incluída aí a empresa, e o caso da Klabin, empresa que foi foco de manifestações num período chave da história do movimento socioambiental.

Inaugurada em 1972, a então Borregaard, tornou-se ícone de poluição industrial e a cidade de Guaíba (RS) ficou conhecida pelo cheiro de ovo podre, como disse Fernando Almeida (em O bom Negócio da Sustentabilidade), espalhado pela empresa no ar.

A Fiesp à época acusava de psicóticos os ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAM), enquanto uma CPI recomendava a suspensão imediata das atividades da empresa.

Na década de 1980 mudou de nome para Riocell e já não emitia mais mau cheiro; na década seguinte foco dos ambientalistas foi a emissão de efluentes e, mais uma vez a empresa se viu às voltas com pressões sociais e políticas e teve de estabelecer metas de controle de poluição.

Hoje, a empresa rebatizada de Klabin Riocell S./A. é uma das primeiras empresas a participar do Inventário de Poluentes Orgânicos Persistentes.

Poder de mobilização e informação, mudanças de paradigma éticos, morais e sobre direitos e deveres foram os combustíveis que moveram esse caso; readequação de produtos, processos, relacionamentos e ferramentas foram os escudos e as benéficas armas utilizadas pela empresa para sobreviver.

A determinação de sucesso ou fracasso empresarial tem forte argumento em como a empresa vê a RSE. Uma Boa Governança traz, para a empresa, benefícios intangíveis, como fortalecimento de marca e fidelização de clientes (indispensável com o aumento da concorrência mundial) e, tangíveis quando não perde funcionários excepcionais, não tem de pagar taxas e tributos e tem seus profissionais cada vez mais produtivos.

Ignorar seus princípios pode significar prejuízos sufocantes.

Isso já foi assimilado e está sendo praticado.

Mas qual será o futuro da Boa Gestão?

É cuidar dos rios e do bem estar da população para que os peixes estejam sempre a sua disposição, para esta e para as futuras gerações.

Afora o descaso do Poder Público que enxerga nas empresas fontes de receita, não parceiros sociais; afora a pobreza de projetos de grande porte seriamente engajados tanto academicamente como comercialmente, o que espanta os grandes grupos de investidores sociais, acredito que a resposta proativa básica e desejada é que o empreendedor vá além da legislação, que incorpore obrigações sociais.

Responsabilizar é exigir comprovação de legitimidade, neste caso, exigir que as empresas provem seu valor e sua importância social, e que essa relevância da empresa para a sociedade seja mais do que a simples geração de empregos.


09.11.07

Quem não se comunica ...

Em outubro último, o Jornal Folha de São Paulo divulgou sua pesquisa anual denominada Top of Mind.
O Grupo entrevistou 5541 brasileiros que responderam à seguinte pergunta: “Qual é a primeira marca que lhe vem à cabeça?”, e em seguida foram questionados sobre as marcas de 40 diferentes categorias de produtos e serviços.
Pelo primeiro ano o estudo contou com a categoria “Preservação do Meio Ambiente”, e o resultado foi bastante interessante.
63% dos entrevistados simplesmente não souberam citar nenhuma marca relacionada ao tema. Entre os quatro primeiros mais citados, um órgão público (IBAMA) e um do terceiro setor (Greenpeace).
Deixando de lado o debate sobre a eficiência e relevância da pesquisa (em termos de publicidade e mercado), tem-se uma boa impressão sobre o que pensam e como vêm atuando de forma equivocada os executivos responsáveis por processos de Comunicação Ambiental Corporativa no Brasil.
Este mesmo jornal, um dia antes da publicação da pesquisa trouxe matéria intitulada “Empresas falham na divulgação de projetos”. No texto, o colaborador André Palhano, cita a incapacidade dos Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC’s) em transmitir informações precisas a seus consumidores quando o assunto é responsabilidade socioambiental. Paradoxal não?
Recentemente li no blog Atitude Verde, de Iberê Thenório, um texto parecido. Ele ligou para os SAC’s de alguns fabricantes de óleo de cozinha perguntando o que fazer com o produto após o uso. Resultado: apenas duas empresas forneceram indicação sobre destinação correta do resíduo.
Duas conclusões óbvias: os processos de comunicação ambiental praticados por companhias nacionais atualmente desrespeitam o princípio básico da via de mão dupla. Eles te respondem, contanto que seja algo que eles queiram responder; e, essa constatação só prejudica a empresa, tendo em vista a clara impressão de que seus esforços são estritamente marqueteiros, não socioambientais.
Uma empresa que desenvolve projetos sérios e efetivos parte de dentro, seus funcionários são os primeiros a saber sobre os programas, criticam-no, fazem acontecer. Saberiam informar!
John Elkington e Jodie Thorpe da Sustainability, publicaram na revista Época Negócios, de Setembro/07, texto explanando sobre o termo “GreenWash” tido por ambientalistas como a definição para empresas que assim se portam. Elas deliberadamente pintam sua fachada de verde, com tinta de segunda, para esconder o acinzentado interior.
Mas o que causa essa correria, de onde vem essa aflição em demonstrar seus “resultados”? Segundo Savitz e Weber em seu livro A Empresa Sustentável muito disso tem a ver com o comportamento do consumidor, mais especificamente com o poder de mobilização que adquiriu nas últimas décadas aproveitando-se de um mundo mais liberal, conectado, interdependente e, acima de tudo, em perigo.
Prefiro achar que os CEO’s e Chairmans estão apenas enganados ao tentar ludibriar seus consumidores quando estes apresentam-se mais fortes e coesos, ou que estão aprendendo a trabalhar com essa nova demanda. Mas é bom que fiquem atentos: pesquisa IBOPE Sustentabilidade revelou que 46% dos entrevistados acreditam que as empresas que desenvolvem ações sociais e ambientais fazem isso somente como estratégia de marketing, o que significa atirar no próprio pé em termos de imagem e valor intangível.
A Comunicação Ambiental Corporativa não deve ser entendida como investimento em criação e veiculação de mensagens que a empresa julgue interessante divulgar. Tem de ser uma demonstração clara e sincera de um importante objetivo traçado e alcançado, mesmo que parcialmente, por meio de um esforço substancial em busca de um mundo mais sadio e igual.
Tenha dias sempre verdes!!

Mais link:


10 Dicas de Comunicação Ambiental – Jornal do Meio Ambiente

 

Referência

SAVITZ, A.W, WEBER, K. A Empresa Sustentável - O verdadeiro sucesso é o lucro com responsabilidade social e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

08.11.07

Das pilhas e Baterias 2

categorias: Resíduos

 Em 25/09 postei aqui neste espaço, texto comentando regulamentação do CONAMA sobre pilhas e baterias.

Segundo resolução do órgão, pilhas e baterias não podem ser descartadas em lixo comum, devendo ser recolhidas por seus fabricantes.

Infelizmente, como é comum ocorrer, existem brechas na resolução.

O leitor e recente conhecido colega Iberê do Blog Atitude Verde comentou o seguinte:

 "Olá, Leandro. Infelizmente, o artigo 13 dessa resolução estraga tudo o que vem antes. Ele permite que pilhas sejam descartadas no lixo comum. Veja: "Art. 13. As pilhas e baterias que atenderem aos limites previstos no artigo 6o poderão ser dispostas, juntamente com os resíduos domiciliares, em aterros sanitários licenciados." Hoje, as pilhas já vêm com um aviso de que podem ser jogadas no lixo doméstico, e o fabricante não tem a obrigação de recolhe-las. Abs! Iberê"

Ele tem razão, e por isso trago esta retratação.