9/10/07
Uma merreca pode salvar a Amazônia

No último dia três de outubro, um grupo de Ong’s lançou um plano de gestão ambiental, um legítimo benchmark, denominado Pacto pela Valorização da Floresta e pelo fim do Desmatamento na Amazônia.
O que foi proposto não é nada mais, nada menos do que acabar com o desflorestamento da região em 7 anos. Audacioso? Sim, e tem mais: como todo plano de gestão, o Pacto demanda aporte financeiro, e o grupo proponente, através de um estudo digno de academia chegou ao valor de R$ 1 bilhão por ano.
Tudo bem, a princípio pode parecer um montante expressivo, mas em se tratando dos ganhos estimados é módico, irrisório. Se compararmos alguns dos investimentos governamentais no Brasil tem-se uma noção ainda melhor, a saber:
O famigerado Plano de Aceleração do Crescimento prevê investimentos de 503,9 bilhões de reais; 17 bilhões de reais serão destinados para construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira; Aliás, por uma incrível coincidência, Tasso Azevedo, diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro, afirmou que a Amazônia poderia render exatos R$ 1bi por ano se preservada.
Além de representar um programa barato, o Pacto apresenta-se de forma densa e coesa. A idéia é estabelecer metas anuais e progressivas de redução do desmatamento, alcançando em 2015 taxa zero.
Os investimentos seriam direcionados à fiscalização, ao apoio a atividades ecológicas e sustentáveis e a incentivos financeiros para quem mantivesse as áreas florestais de suas propriedades intactas.
Não há porque não comprar essa idéia. Não há motivos para o pé atrás, mas novamente nos deparamos com inoperância descabida e a visão refratada da presidência.
Para a efetivação do Pacto, será necessário captação de recursos no exterior, e como o Meio Ambiente, segundo opinião retorcida e retrógrada do nosso representante mor, é entrave e, aliando-se à essa questão ainda existir o fato do governo comemorar uma pseudo-queda nas taxas de desmatamento, podemos estar pondo tudo a perder.
Explica-se. Os estados contidos na região amazônica são pobres. Setores primários e secundários já estão sobre-taxados; Sem o estabelecimento de metas claras e objetivas para redução do desmatamento (conseqüência do medo mentiroso de estagnar o País), nenhum governo mundial vai investir nessa idéia.
Você poria seu dinheiro em um país que concede isenção fiscal a pecuaristas (mesmo ilegais e em áreas protegidas)? Onde bancos fomentam através de créditos essas atividades? Onde não há comprometimento em fiscalizar ações depredatórias e que, de quebra, tem representantes envolvidos com escândalos pecuários e até mesmo escravocratas? Nem eu.
Acredito muito no projeto e acredito, sobretudo, na capacidade e idoneidade dos agentes envolvidos. Acredito ainda estarmos muito próximos de propor uma solução definitiva para a questão da Amazônia. Apenas propor, porque no que tange ao executivo nacional, amazônia é savana, boa pra plantar cana.
Tenha dias mais verdes!!
Links
Brasil pode lucrar US$ 1 bilhão por ano com preservação da Amazônia, diz técnico do governo.
Entidades Proponentes
WWF, Greenpeace, Instituto SocioAmbiental, Instituto Centro de Vida, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, The Nature Conservancy, Conservação Internacional, Amigos da Terra - Amazònia Brasileira, Imazon.
Documentos
Documento do Pacto pela Valorização da Floresta e pelo fim do desmatamento na Amazônia
Documento Fundamentos Econômicos da Proposta de Pacto Nacional pelo fim do desmatamento
criado por lh_henrique
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