Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

7/8/07

Os Riscos e as Oportunidades da Urbanização

Recentemente o UNFPA (Fundo de Populações das Nações Unidas) divulgou um relatório (http://www.onu-brasil.org.br) sobre as concentrações das populações no mundo todo e apresentou um dado realmente relevante.
Em 2007, pela primeira vez na história da humanidade, a população urbana se igualou à população rural.
Esse relatório trás algumas conclusões muito interessantes, a saber: o fenômeno de urbanização mundial é inevitável; os maiores índices de crescimento urbano são observados em cidades médias, não em grande metrópoles; o principal fator de crescimento não são os movimentos de migração, mas a expansão vegetativa das cidades (maior número de nascimentos do que de óbitos).
E o mais importante: a concentração é melhor para o meio ambiente do que a dispersão das populações e, a pobreza é maior em áreas rurais.
Esse estudo mostra, portanto, que esse fenômeno pode vir acompanhado de benefícios socioambientais importantíssimos. Pode, mas isso é apenas uma possibilidade, não uma certeza.
Os assentamentos urbanos, que hoje abrigam 3,3 bilhões de pessoas, ocupam uma área que corresponde a 2,8% do território global. Sendo assim, é evidente que a exploração direta de ecossistemas diminui, favorecendo sua manutenção e recuperação.
Outra questão positiva da urbanização é que fugir da pobreza e ascender socialmente é mais fácil em centros urbanos do que no meio rural, ainda que para isso a população mais humilde tenha que superar onerosos obstáculos.
Mas esses benefícios podem não ocorrer, primeiro porque a população mundial saltará, em 2050, para 9 bilhões de seres humanos que precisam de alimento, vestuário, abrigo, remédios, água, e um sem número de outros recursos naturais.
Segundo porque essa ascensão social não pode ser entendida como um simples aumento quantitativo de bens e de posses. Os padrões de consumo da classe média e alta são sabidamente insustentáveis e atingirão níveis catastróficos se essa nova população emergente se beneficiar dos mesmos confortos almejados hoje.
Costumo dizer que as palavras risco e oportunidade caminham juntas, lado a lado, e esse é um bom exemplo. Cabe a sociedade cobrar as políticas públicas cabíveis para evitarmos o colapso urbano, e mais ainda: nunca foi tão importante, e essa responsabilidade e diretamente proporcional ao aumento da população mundial, que revejamos nossos comportamentos de consumo.
Tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    16:35 — Arquivado em: Socioambientalismo

Depredação Ambiental e Social

Desde que este espaço vem sendo publicado, por diversas vezes a relação entre meio ambiente e sociedade veio à tona não por acaso.
Para os ambientalistas, não é a simples proteção aos recursos naturais ou o salvamento do Planeta Terra que está em jogo. Não estamos falando de proteger determinadas espécies da flora e da fauna, não estamos falando apenas em estabilizar o degelo de nossos pólos nem mesmo estamos tão somente lutando contra o desaparecimento da Mata Atlântica.
A convivência harmoniosa da humanidade com o Meio Ambiente deve ser entendida como uma ferramenta de modificação e de melhoria para a própria vida humana, caso contrário, pode representar perdas sociais irreparáveis e desastrosas.
Recentemente, um estudo elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do Ministério da Saúde apontou que as mortes por homicídios no Brasil concentram-se em 556 de 5.560 municípios brasileiros, ou seja, cerca de 10%. Dos 48.345 óbitos por esta causa registrado em 2004, 34.712 – mais de dois terços – aconteceram nessas cidades. De acordo com o estudo, baseado em dados de 1994 a 2004, isso mostra um crescimento da violência no interior do país, e não só nas grandes capitais e regiões metropolitanas.
A partir dessa pesquisa, a Agência Brasil (www.agenciabrasil.gov.br) cruzou os dados obtidos com informações do Projeto Prodes – Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite e concluiu que dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento, 58 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no país.
A idéia foi identificar a relação entre o desmatamento e a violência nos municípios da Amazônia Brasileira. Para isso, foram analisados o Gráfico do Desflorestamento até 2005 e os 556 municípios com as maiores taxas de homicídios na população total. Essas cidades representam 10% dos municípios brasileiros, mas, em 2004, concentraram 71,8% do total de homicídios ocorridos no país.
Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão no Mato Grosso, 18 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão. Os estados do Acre e Tocantins aparecem com um município cada. Além disso, entre os 100 mais desmatados, 16 estão também entre os 100 municípios com maior números de assassinatos, incluindo o primeiro, o quinto e o oitavo lugares dessa lista: respectivamente, Colniza, São José do Xingu e Aripuanã, os três em Mato Grosso.
Quando teorias, mesmo que fidedignas e apresentadas de forma ordenada são expostas e idéias são lançadas, muitos ainda teimam em desacreditá-las. Mas, quando conseguimos chegar a números, quando alcançamos dados quantitativos, abandonamos o campo da ignorância e nesse caso não levar em consideração informações importantes como esta, só pode representar um completo descaso pela questão.
O Meio Ambiente, assim como o Esporte, a Cultura e a Educação são as mais eficazes ferramentas para curarmos a doenças sociais, só que um meio ambiente doente inviabiliza a utilização das demais.
A violência é gerada pela disputa por recursos naturais, como o ferro e o aço do seu carro eventualmente roubado e o plástico e a borracha do tênis almejado pelo assaltante. Manter as florestas em pé é sinônimo de economia e extrair racionalmente seus recursos, incluindo nesse processo as comunidades tradicionais e os povos locais, é o melhor antibiótico contra ao “micróbios” da depredação socioambiental.
Pense nisso e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:32 — Arquivado em: Socioambientalismo

LIXO?

O desenvolvimento econômico, somado a explosão da taxa demográfica observada nas últimas décadas, trouxeram consigo problemas como efeito estufa e aquecimento global, destruição da diversidade biológica, escassez de água e recursos naturais básicos e uma super produção de lixo.
Não é necessário que façamos contas, cruzemos dados ou nos especializemos em ecologia. A situação é bem simples: muito mais pessoas demandando recursos e gerando resíduos num planeta que não tem mais pra onde crescer.
Não importa sua filosofia de vida, suas aspirações, suas crenças ou seu nível social. Somos moradores da mesma casa e sofreremos igualmente as penas que nos serão impostas pela natureza. A menos que façamos algo.
Vejamos o caso do lixo. Lixo, no dicionário quer dizer tudo o que não presta e se joga fora. Corretíssimo. Mas já parou pra pensar em quanto desperdiçamos de alimentos e outros recursos diariamente em nossas casas?
É preciso que tomemos consciência disso e planejemos com mais consciência nossas compras, o modo como preparamos nossos alimentos e como direcionamos nossos resíduos.
Devemos seguir a regra dos cinco Rs nessa questão: reduzir, reutilizar, reciclar, reeducar e replanejar. Não tenha dúvida de que isso trará não só benefícios ambientais como também financeiros para a sua família. Reeducando-se a partir do momento da compra até a destinação dos restos você certamente fará economia.
Você pode também utilizar cascas e talos de vegetais em sucos, bolos e doces (deliciosos por sinal!), ou deposita-los nos vasos de plantas, como no caso das cascas de batatas que servem como ótimo adubo.
O óleo queimado pode virar sabão, potes de margarina são ótimos como matéria prima em artesanatos, latas virão brinquedos… é só usar a imaginação.
O único resíduo que não pode ser reutilizado ou reciclado é o lixo tóxico. Fraldas, papel higiênico e seringas, por exemplo, devem ser descartadas após o uso.
Quanto às pilhas e baterias (inclusive de celular) devem ser remetidas ao fabricante ou à uma Ong ambientalista, sob pena de despejarmos materiais perigosíssimos na natureza.
Ser ecologicamente correto é gostoso, divertido e faz bem para o bolso.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:31 — Arquivado em: Resíduos

O Dualismo do IPCC

Nos últimos tempos todos nós ouvimos muito os termos aquecimento global e efeito estufa.
Isso se deve ao fato que ter sido divulgado, no início do mês de fevereiro, o relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
O IPCC surgiu em 1988 por iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e é considerado a mais alta autoridade científica no que diz respeito ao Aquecimento Global.
Os resultados divulgados após 6 anos de estudos e que contou com a participação de dois mil e quinhentos cientistas de 130 países não podiam ser piores.
Em capas de revistas, noticiários, no rádio e até mesmo na mídia segmentada, o que se lia, mesmo que subliminarmente, era: “o aquecimento global é pior do que imaginávamos”.
Os cientistas concluíraram, dentre outras coisas, que a temperatura da Terra pode subir entre 1,8 e 4 graus até 2100 e que o nível dos oceanos pode aumentar em até 43 centímetros no mesmo período.
Ainda neste relatório, os pesquisadores concluíram que há 90% de chances desses fenômenos serem causados pela ação humana.
Apesar de ser considerado conservador por parte de parcela da comunidade científica, as estatísticas alarmantes divulgadas chegam em boa hora, senão vejamos:
É nítido que a apresentação desses dados irá causa inquietação e inconveniências aos países que ainda se recusam a controlar as emissões dos poluentes causadores do efeito estufa, chefes de estado apressam-se em apresentar propostas e proferir discursos pró Meio Ambiente. George Bush, quem diria, chegou a anunciar que pretende fazer esforços para diminuir em 20% o consumo de gasolina nos Estados Unidos.
Com a divulgação desse trabalho, abandonamos o campo da especulação e aderimos ao da ciência. Deixamos para trás a demagogia e tomamos posse do bom censo.
Por essa razão, o movimento socioambientalista ganha força. Nossas reivindicações terão de ser consideradas com mais sensibilidade e respeito. Iremos ver um aumento expressivo nos programas e projetos de educação, gestão e tecnologias ambientais de que tanto precisamos.
O debate está posto, os argumentos estão aí. Fica claro que avançamos na questão, torcendo para que as próximas respostas venham de maneira igualmente rápida e dinâmica, tal qual ocorre com a depredação e respostas naturais.
A luta continua dura, empresas petrolíferas estão contratando cientistas para contestar o Relatório e há ainda quem não acredite nos fatos.
Agora que essas discussões atingiram os governos e as grandes corporações, esperamos que o assunto continue em pauta e a tão aguardada mobilização e organização social emirja.
Se você deseja fazer sua parte, acesse www.myfootprint.org. Lá você poderá calcular o quanto usa da natureza para realizar suas atividades diárias e poderá saber também o que fazer para neutralizar essas atividades.
Até mais e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:29 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas
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