10/8/07
Quando foi a última vez que você tomou chuva?
Geralmente quando pergunto aos meus alunos e amigos o que é meio ambiente, eles dizem, sem sombra de dúvida: ora, meio ambiente são os animais, as plantas, os rios e os mares. Aí eu digo, e ecossistema? A resposta: ecossistema é a Mata Atlântica, a Amazônia, a Savana…
Legal. E o ser humano? E as cidades? Não fazem parte do meio ambiente, nem constituem ecossistemas?
Ao longo do processo de evolução, o homem criou sistemas paralelos ao ECOssistema. São estruturas artificiais que fazem com que a população humana não se veja dentro do ambiente, mas perifericamente, ou ainda superiormente.
Ah, não acredita? Então me responda, qual foi a última vez que tomou banho de chuva? Não uma chuvinha qualquer, estou falando daquelas que molham as roupas de baixo! Faz tempo né?
Não estamos mais sujeitos às variações climáticas, não sabemos em qual fase da lua ou estação do ano estamos. Mas por outro lado, sabemos a cotação do dólar e quais são os candidatos à presidência.
Alberto Prado Díaz, em seu livro “Educação Ambiental como Projeto”, chama esses sistemas paralelos de esferas e as nomeia como Biosfera, Sociosfera e Tecnosfera. O atrito causado entre essas esferas, ou, entre a sociedade, as tecnologias e o meio ambiente, são as causas de todos os problemas socioambientais. Ou seja, as esferas construídas pelo homem acabam se colocando acima da única esfera natural.
Se pararmos pra pensar, em algum lugar do passado longínquo, nossos ancestrais tomavam muito mais banhos de chuva, ou seja, estavam muito mais em contato com o meio ambiente. A sociedade contemporânea afastou-se desse ambiente, e passou a olhar a natureza sob um prisma de fim de semana, de férias e não do dia a dia.
Por que as teorias econômicas, por exemplo, não consideram a capacidade de suporte da natureza já que tudo o que vemos a nossa volta, inclusive nós mesmos, somos parte dela? Será que ninguém parou pra pensar que o crescimento econômico indefinido não é a solução para os problemas sociais, uma vez que é sabido que o ambiente não suportará?
A única forma de alcançarmos uma sociedade mais justa e sã é mudarmos esse paradigma. Não conseguiremos voltar aos níveis antigos de crescimento e desenvolvimento, isso causaria uma catástrofe ainda maior. Mas temos a obrigação de pelo menos pensar em estagnar, dividir renda. Dados apontam que os 500 bilionários do mundo detêm metade da riqueza do Planeta. Não te parece injusto?
É esse problema que o socioambientalismo se propõe a estudar. Essa separação incompreensível entre o homem e seu meio. Da terra viemos e para ela voltaremos, não é mesmo? Então, a matéria que te constitui um dia também já foi mar, ou atmosfera, ou quem sabe parte de uma barata!
Então, o que temos para propor é que você tome mais banhos de chuva, seja mais justo e tolerante, e não pense que todo ambientalista é aquele ecochato, ou ecoxiita, como já fui chamado algumas vezes. Nossa teoria tem fundamentação, e, se nos propusemos a travar essa batalha, é porque acreditamos na humanidade e amamos nossos iguais e as outras espécies que estão, juntamente conosco, nesta maravilhosa experiência que é viver.
Até que nossos átomos voltem para o seu lugar de origem, que é a biosfera!
Tenha dias mais verdes!!
Sugestão para leitura: Ecoeconomia – uma nova abordagem. Ed. Lazuli. Hugo Penteado
criado por lh_henrique
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