10/8/07
Método Ambiental
“Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem”.
Foi assim que certa vez, um de meus mestres iniciou sua aula de Estatística aplicada à Gestão Ambiental, parafraseando Decartes, ele pretendia divagar sobre consciência ambiental e de cidadania.
Confesso que à época, até mesmo por já conhecer e admirar o pensador citado, passei muito tempo pensando nos elos que existiam entre a questão ambiental e o bom senso; entre a devastação absurda da Amazônia e a ganância arrogante daqueles que a devassam, entre o crescimento da altamente indústria poluidora-automotiva e o consumo absurdamente crescente de veículos de passeio pesados e “sujos”; entre as pseudo-descobertas farmacêuticas e o desrespeito com o saber local e tradicional.
Digo isso porque o texto de Decartes continua da seguinte forma:
“E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas”.
Ser ponderado sempre foi uma das qualidades que mais busco, e assim o farei dessa vez. Refletir e ajudar o meio ambiente é uma forma de se pensar, é uma razão, um caminho com muitos outros. Mas confesso não conhecer um mais sensato.
Nós desejamos uma indústria automobilística, mas queremos investimentos pesados em tecnologias limpas e neutralizadas;
Precisamos e queremos madeira, até mesmo para decoração, mas queremos que ela traga consigo benefícios sociais pra quem a extrae, e não trabalho escravo;
Precisamos muito de medicamentos, mas não queremos pagar royaltys estratosféricos por princípios ativos encontrados em nosso País.
Então deixo o filófoso concluir:
“Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam”.
Talvez por isso, o ambientalismo ainda crie tanta polêmica ao mesmo tempo que luta em prol da totalidade, da inclusão, do compartilhamento e da solidariedade.
É coisa pra filosofar!
Tenha dias mais verdes!!
criado por lh_henrique
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