Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

10/8/07

Crescer pra quê? Crescer pra onde?

 É época de eleição. É tempo de mudar o Brasil, de propor centenas de projetos, teorias e maneiras de resolver os problemas nacionais.
Chegou a hora de escolhermos, dentre centenas de propostas, aquelas que julgamos serem as melhores no que diz respeito à saúde pública, à violência, à diminuição das desigualdades sociais e ao desenvolvimento econômico.
Ah, o desenvolvimento econômico, segundo nossos representantes e aspirantes a cargos públicos, a salvação da humanidade! Para eles, somente com grandes obras de infraestrutura conseguiremos gerar emprego e renda que por sua vez melhorarão o poder de compra da população e, então teremos mais arrecadação fiscal e mais investimentos em infraestrutura. O ciclo da salvação.
Os candidatos apenas divergem em quanto e como serão feitos esses investimentos.
Para não dizer que estão agindo de má fé, prefiro apenas acreditar que os políticos e economistas encontram-se em um estágio de letargia que os impede de raciocinar com inteligência e que os leva a criar teorias suicidas como essas que vemos nas propagandas eleitorais.
O crescimento econômico infinito não é possível e, por si só nunca irá resolver os problemas socioambientais. A economia não pode crescer tanto quanto cresce a população. Sempre haverá um déficit crescente de empregos.
Isso sem falar na restrição física, ou seja, na quantidade de recursos naturais disponíveis, que também não suportarão uma exploração crescente e perpétua.
Se desenvolvimento econômico fosse sinônimo de melhoria de qualidade de vida e diminuição dos abismos sociais, os Estados Unidos não teriam destruído 95% das suas reservas florestais, e os países ricos não teriam 12% das suas populações vivendo abaixo da linha da pobreza.
Outro exemplo muito contundente em relação a esse fato é o caso da China. Nossos representantes almejam crescer em proporções eqüitativas àquelas observadas no citado País, mas não observam que esse crescimento é baseado em uma ditadura e que lá o meio ambiente está sendo degradado da mesma forma como foi nos países ricos de hoje.
E por aqui o que se ouve, em relação aos orientais, é um misto de ansiedade e êxtase que beira a inveja.
Não precisamos ir longe para observar esse fenômeno. Em Macaé (RJ), com a chegada da Petrobrás e seus milhões de dólares a cidade ao invés de prosperar, foi polarizada.
Uma parte da cidade abriga funcionários do alto escalão da multinacional brasileira além de técnicos e outros profissionais estrangeiros que chegaram à cidade.
Do outro lado, houve um processo maciço de favelização impulsionado pela exclusão de moradores locais não aproveitados como funcionários pela empresa e outros tantos que para lá migraram em busca de oportunidades.
O resultado é óbvio: Segregação social, discriminação racial, pobreza, violência e degradação do meio ambiente.
Esse é o tal desenvolvimento econômico que estamos buscando?
Não podemos mais aceitar que a pobreza (de pessoas e Países) banque a riqueza de uns poucos. Não podemos acreditar que nos desenvolvendo iremos acabar com a terrível e desumana condição de vida em que vive a maioria da população do planeta, tampouco que o meio ambiente será capaz de suportar a constante e progressiva exploração de seus recursos.
Pense bem, vote com consciência e tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    17:14 — Arquivado em: Socioambientalismo

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://ambienteecultura.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.