Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

10/8/07

Dia Mundial do Meio Ambiente

No dia 5 de Junho comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Há realmente o que se comemorar? Sim, sem dúvidas há.
Primeiro pelo comprometimento que a mídia tem apresentado em relação a essa questão. Nunca ouvimos falar tanto sobre aquecimento global, diversidade biológica, recursos hídricos, desmatamento…
Os meios de comunicação começam a apresentar comentaristas e espaços especializados, os espectadores tem participado do debate emitindo opinião, levando dúvidas e apresentando seus pontos de vista. E isso é muito importante para o movimento ambientalista tendo em vista as recomendações para que esse envolvimento evolua ainda mais.
Outro fato que deve ser comemorado é o crescimento e ampliação do Terceiro Setor. Ongs e Oscips vêm trabalhando seriamente transformando o joio em trigo. Extraem riquezas de comunidades pobres, espalham vida em regiões devastadas, sempre com muito trabalho, criatividade e competência técnica.
Até mesmo no setor governamental é possível ver alguns traços de ponderação, mas nesse segmento as coisas andam morosa e lentamente.
Apesar dos esforços louváveis de nossa Ministra de Meio Ambiente, que vem criando Áreas de Proteção Ambiental e batendo o pé nos licenciamentos, a fim de preservar o patrimônio natural, os donos do poder continuam seguindo a linha do “projeto bom é projeto que da visibilidade” e continuam entre outros equívocos, querendo transpor o Rio São Francisco ao invés de revitalizá-lo e mais ainda, querem diminuir a área da Amazônia Legal para ampliar as áreas de agricultura e pecuária.
Há que se considerar também os esforços dos cientistas. Estes gigantes da linha de frente do movimento socioambientalista lutam apresentando dados cada vez mais relevantes e fidedignos aos tomadores de decisão. E estes últimos não têm alternativa senão aceitar sua parcela de culpa e responsabilidade.
Essa é a essência metodológica da questão. O envolvimento e a troca de expectativas e ambições das partes sociais.
Mas não é a essência filosófica. Não podemos perder o foco e devemos aceitar definitivamente que o que está em jogo não é a sobrevivência do planeta, mas a sobrevivência de nossa espécie, o homo sapiens.
Precisamos ter certeza e acreditar que os meios de comunicação estão veiculando esse tema não pela audiência, mas por preocupação e vontade de mudar. Precisamos acreditar que as empresas possam apoiar Ongs não pela visibilidade institucional, mas pelo amor às crianças. Precisamos crer que os governos proporão projetos para o futuro sadio e sustentável, não pela simples quantidade de votos na próxima eleição.
Esse é o passo que devemos dar agora, e para isso precisamos de mais pessoas envolvidas. O que está faltando nesse momento é o aumento do comprometimento da sociedade civil organizada. Assim podemos chegar à essência filosófica, pressionando governos, instituições privadas, apoiando o terceiro setor e prestigiando os trabalhos científicos.
Ainda há tempo, um valioso tempo que não pode ser desperdiçado. Junte-se ao movimento socioambientalista, seja voluntário, seja crítico e participativo e tenha um ótimo dia Mundial do Meio Ambiente!!

criado por lh_henrique    17:20 — Arquivado em: Socioambientalismo

Aquecimento econômico global

O aquecimento global é um fenômeno físico – químico que tem assolado nosso Planeta nas últimas décadas.
Trata-se de um processo de elevação da temperatura global em função do aumento da concentração de gases retentores de calor na atmosfera terrestre. Esses gases têm suas origens em duas principais fontes de emissão: a queima de combustíveis fósseis (o carvão, o petróleo e seus derivados) e os desmatamentos.
Em 1950, o mundo lançava 1,6 bilhão de toneladas desses compostos na atmosfera. Em 2000 passamos a emitir 6,3 bilhões. Com toda essa quantidade de poluentes, a Terra recebe energia luminosa do Sol, a transforma em energia térmica, mas não consegue dissipá-la de volta para o espaço.
Não é preciso dizer que os efeitos são devastadores: ondas recordes de calor, elevação dos níveis dos oceanos, alteração nos processos de precipitação, perda de diversidade biológica, tempestades e furacões cada vez mais destruidores.
Entre 1920 e 1970, houve 40 tempestades por ano; entre 1985 e 2000 esse índice subiu para 80. Um número bastante esclarecedor sobre a ligação entre aquecimento global e ocorrência de furacões e tornados, mas que é inadmissívelmente ignorado por governantes.
Isso sim é um entrave para o desenvolvimento econômico. Bilhões de dólares são gastos, anualmente e de forma crescente, com realocação de comunidades desabrigadas, perda de safras, furacões e desastres ecológicos oriundos desse processo.
E o que é pior, estamos fazendo muito pouco para impedir esse processo. Mais e mais gases são lançados na atmosfera e os desmatamentos continuam acontecendo de forma expressiva, apesar das recentes quedas nas taxas.
Há soluções para que não tenhamos que enfrentar um colapso social, econômico e ambiental. Uma delas é a mudança na matriz energética, baseada no carbono e que rege o mundo atual, para uma outra baseada no hidrogênio e em outras fontes renováveis.
Investir em tecnologia energética limpa e renovável é uma oportunidade única de alcançar desenvolvimento e crescer de forma sustentável, na medida em que novos postos de trabalho seriam criados, novas empresas surgiriam e em locais desfavorecidos.
Estudos recentes afirmam que as regiões que hoje apresentam temperaturas mais elevadas, são aquelas que mais sofrerão com os efeitos do aquecimento global. Catastroficamente essas regiões são também as mais pobres do globo e entre elas estão a África e nosso nordeste
Sem infra-estrutura e sem recursos, os efeitos de uma elevação da já alta temperatura nessas regiões pode significar a morte de milhões de pessoas e, tanto no nordeste como na África, seria perfeitamente viável a construção, por exemplo, de usinas de energia eólica. Tendo energia disponível é muito mais plausível que uma região se desenvolva.
E mais. Desvincular a demanda por petróleo dos apontadores de crescimento pode, inclusive, diminuir conflitos armados, principalmente no oriente médio.
Outra solução é pessoal, e depende da iniciativa de cada um. Utilize seu veículo de maneira mais consciente. Se todos nós deixássemos nossos carros um dia por semana na garagem, haveria uma diminuição de quase 15% nas emissões de gases nocivos, além disso, procure manter o motor de seu carro regulado. Procure também comprar madeira com origem certificada, isso evita que você adquira um produto de contrabando ou tráfico.
Recentemente nosso ilustríssimo presidente reeleito afirmou ser dos ambientalistas e do ministério público a culpa pelo baixo crescimento do Brasil. Se travar o crescimento significa ir contra uma política energética retrógrada, ineficiente e injusta, confesso que realmente sou um entrave.
Mas há alternativas e esse fato é incontestável. Há fontes de energia limpa cujas tecnologias para extração, transporte e utilização já são utilizadas há décadas e que não são um investimento maior do que àquele assistencialista destinado à vítimas de catástrofes cada vez menos naturais.
As travas do desenvolvimento estão associadas, antes de tudo, à corrupção, à morosidade e ao egoísmo de pessoas que insistem em declarar que um novo mundo não pode existir. NÃO ACREDITE NELAS! Continue lutando e FAÇA SUA PARTE!
Se você quiser saber mais sobre o assunto, acesse www.uma.org.br e baixe, gratuitamente o livro Eco-economia: construindo uma economia para a Terra, de Lester Brown.
Boa leitura e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    17:19 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

Nosso chão está desabando!

Compreende-se por solo a parte mais externa da crosta terrestre, um agregado de componentes físicos, químicos e biológicos que interagem proporcionando um equilíbrio dinâmico favorecedor da existência e desenvolvimento da vida.
A formação dos solos como conhecemos hoje se deu através de um processo lento de milhares de anos através da decomposição de rochas e, mais tarde pelo acúmulo de matéria orgânica morta.
Esse processo proporcionou, gradativamente, o surgimento dos primeiros vegetais, em seguida de vegetais superiores que ao fixarem suas raízes e rizomas deram firmeza à sua base e passaram a proteger os solos de processos de erosão numa relação de mutualismo.
O ciclo de vida e de morte na natureza, aliado a processos de intemperismos formou uma fina camada, medida em centímetros, na parte mais superficial dos solos. É nesta camada que estão concentradas as altas taxas de nutrientes que as plantas precisam pra se desenvolver de forma saudável e eficaz.
A presença da floresta impede, portanto, que o solo seja carregado pelo vento e pelas enxurradas ao mesmo tempo em que realimenta essa camada fértil do solo.
A crescente necessidade de recursos, alimentos, madeira, papel, minerais dentre outros, fez com que o homem inadvertidamente substituísse as florestas por pastagens e áreas de plantação quebrando a relação simbiôntica estabelecida.
Afora os problemas relacionados à perda de biodiversidade, emissão de gases estufa e ao próprio desmatamento, essas práticas antrópicas põem em risco a qualidade dos solos e sua capacidade de continuar mantendo em funcionamento as cadeias alimentares em cujos topos encontramos os seres humanos.
Com as recentes descobertas e afirmações relatadas no IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climática, na sigla em Inglês) sabemos que o regime pluviométrico vai mudar em todo o mundo, diminuindo as taxas de precipitação. Solo seco e desmatado é muito mais vulnerável aos processos erosivos que são ainda favorecidos pela mineração, pelo uso abusivo de produtos químicos, pelas queimadas…
No Brasil, todo ano perdemos 500 milhões de toneladas de solo. Estamos falando de nossa segurança alimentar. Sem solo forte não temos milho, soja, mandioca, alface, arroz, feijão, carne. Estamos falando de um colapso alimentar que atingirá toda a população mundial.
Mas há outras questões relacionadas a esse problema. Recuperar um solo desgastado e esgotado demanda técnicas e esforços que não justificam o não planejamento da ocupação do mesmo, ou o não aproveitamento mais racional desse importante recurso.
Há anos observamos estarrecidos o crescimento dos índices de desmatamento na Amazônia feito por grandes pecuaristas e agricultores inescrupulosos que, ao esgotar uma faixa de terra a abandonam irresponsavelmente e partem para a destruição de outras áreas, ainda intactas.
Nesse ponto percebemos quão desesperador e quanta aflição as agressões à natureza causam naqueles que percebem seu valor transcendente e inestimável. A sensação é de que estão tirando nosso chão e o sentimento é de insegurança e impotência.
Os prejuízos causados por essa especulação ecológica são da ordem dos bilhões enquanto os custos para um bom planejamento e execução de projetos de agropecuária sustentável ficam na casa dos milhões.
É obvio que deve haver investimento. Há um custo para alcançarmos um desenvolvimento qualitativo. E é igualmente óbvio que vale a pena, pela saúde de nossos filhos e por toda a paz e romantismo que a natureza emana.
Você também pode ajudar a manter os solos saudáveis. Planeje bem suas compras. Prepare seus alimentos com consciência a fim de evitar desperdícios. Seu alimento vale muito mais do que os Reais que você paga por eles.
Olhe para o chão em que você pisa, orgulhe-se dele e tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    17:17 — Arquivado em: Solo

Planeta Água

Todos nós já tivemos a oportunidade de ver fotos de satélite do nosso planeta e a constatação é evidente: Nosso planeta deveria se chamar planeta Água tendo em vista que mais de ¾ da superfície da Terra representa os domínios dos mares, oceanos, rios e afins.
Além disso, o mais notável é que até onde se sabe, duas das coisas mais espetaculares de que se têm notícias só existem por aqui. A primeira delas é a própria água, e a segunda e a presença de vida.
Em tempo, a vida é um estado, um fenômeno por assim dizer, intimamente ligado a presença desse importantíssimo recurso natural.
Segundo as teorias científicas, a vida surgiu na água, nos oceanos, e a partir daí foi expandido suas fronteiras até atingir os locais mais inóspitos representada por sua espécie mais notável, o homo sapiens. Essa colonização só foi possível, porque ao longo dos anos o homem foi adaptando seu modo de vida, criando ferramentas, domesticando animais, cultivando alimentos, criando tecnologias, máquinas, técnicas, cultura, comunicação, enfim, um arcabouço de parafernálias sem as quais não teria sido possível chegarmos onde estamos.
Mas apesar do espantoso avanço, o homem continua a depender da água, senão como nos primórdios, de uma maneira ainda mais intensa. Não é possível construir um carro sem água. Não é possível montar um computador sem água. Até mesmo em uma granja, na produção de ovos, a utilização de água é indispensável.
E não para por aí. O homem ainda depende da água para um sem número de atividades, começando pela dependência para suprir sua necessidade vital, até o transporte, passando pela produção de alimentos, resfriamento de equipamentos e máquinas, para destinar seus dejetos (o chamado saneamento básico), e por que não dizer, para o lazer e a recreação.
Mas essa relação, encontra-se hoje perturbada. Por ser considerada um recurso barato e abundante, a água tem sido usada de maneira irresponsável e negligente. Ao mesmo tempo em que aumentamos nossa dependência desse recurso, cada vez mais estamos desperdiçando nosso fluído vital, sem remorsos, sem constrangimento, apenas desperdiçando.
Segundo o último relatório do Desenvolvimento Humano, uma criança morre a cada 19 segundos vítima da falta de saneamento básico, o que reflete em última análise, falta de água para carregar a sujeira, que nós mesmos geramos, para um lugar distante o suficiente.
E mais. Desde que o homem começou a praticar a agricultura, a presença ou não de água tem representado o sucesso ou a decadência da segurança alimentar de uma população.
Justamente pela importância e pelo descaso até agora observado, dentro de pouco tempo estaremos pagando não só pelo tratamento, mas também pela água em si. Se você consumir 100 litros de água irá pagar pelos 100 litros consumidos.
Parece injusto e autoritário, mas, nas empresas, que atuam sob forte fiscalização ambiental tem dado certo. Cobrar pela água, bem como multar abusos tem feito o setor econômico buscar alternativas, financiar pesquisas e educar funcionários. Em troca, algumas delas têm obtido dividendos e valor institucional inestimáveis.
Gerir os recursos hídricos de forma consciente e eficaz é sinônimo de economia e oportunidades.
Não deperdice água, assim você economizará dinheiro e terá dias muitos mais verdes!

criado por lh_henrique    17:15 — Arquivado em: Recursos Hídricos

Crescer pra quê? Crescer pra onde?

 É época de eleição. É tempo de mudar o Brasil, de propor centenas de projetos, teorias e maneiras de resolver os problemas nacionais.
Chegou a hora de escolhermos, dentre centenas de propostas, aquelas que julgamos serem as melhores no que diz respeito à saúde pública, à violência, à diminuição das desigualdades sociais e ao desenvolvimento econômico.
Ah, o desenvolvimento econômico, segundo nossos representantes e aspirantes a cargos públicos, a salvação da humanidade! Para eles, somente com grandes obras de infraestrutura conseguiremos gerar emprego e renda que por sua vez melhorarão o poder de compra da população e, então teremos mais arrecadação fiscal e mais investimentos em infraestrutura. O ciclo da salvação.
Os candidatos apenas divergem em quanto e como serão feitos esses investimentos.
Para não dizer que estão agindo de má fé, prefiro apenas acreditar que os políticos e economistas encontram-se em um estágio de letargia que os impede de raciocinar com inteligência e que os leva a criar teorias suicidas como essas que vemos nas propagandas eleitorais.
O crescimento econômico infinito não é possível e, por si só nunca irá resolver os problemas socioambientais. A economia não pode crescer tanto quanto cresce a população. Sempre haverá um déficit crescente de empregos.
Isso sem falar na restrição física, ou seja, na quantidade de recursos naturais disponíveis, que também não suportarão uma exploração crescente e perpétua.
Se desenvolvimento econômico fosse sinônimo de melhoria de qualidade de vida e diminuição dos abismos sociais, os Estados Unidos não teriam destruído 95% das suas reservas florestais, e os países ricos não teriam 12% das suas populações vivendo abaixo da linha da pobreza.
Outro exemplo muito contundente em relação a esse fato é o caso da China. Nossos representantes almejam crescer em proporções eqüitativas àquelas observadas no citado País, mas não observam que esse crescimento é baseado em uma ditadura e que lá o meio ambiente está sendo degradado da mesma forma como foi nos países ricos de hoje.
E por aqui o que se ouve, em relação aos orientais, é um misto de ansiedade e êxtase que beira a inveja.
Não precisamos ir longe para observar esse fenômeno. Em Macaé (RJ), com a chegada da Petrobrás e seus milhões de dólares a cidade ao invés de prosperar, foi polarizada.
Uma parte da cidade abriga funcionários do alto escalão da multinacional brasileira além de técnicos e outros profissionais estrangeiros que chegaram à cidade.
Do outro lado, houve um processo maciço de favelização impulsionado pela exclusão de moradores locais não aproveitados como funcionários pela empresa e outros tantos que para lá migraram em busca de oportunidades.
O resultado é óbvio: Segregação social, discriminação racial, pobreza, violência e degradação do meio ambiente.
Esse é o tal desenvolvimento econômico que estamos buscando?
Não podemos mais aceitar que a pobreza (de pessoas e Países) banque a riqueza de uns poucos. Não podemos acreditar que nos desenvolvendo iremos acabar com a terrível e desumana condição de vida em que vive a maioria da população do planeta, tampouco que o meio ambiente será capaz de suportar a constante e progressiva exploração de seus recursos.
Pense bem, vote com consciência e tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    17:14 — Arquivado em: Socioambientalismo

Quando foi a última vez que você tomou chuva?

Geralmente quando pergunto aos meus alunos e amigos o que é meio ambiente, eles dizem, sem sombra de dúvida: ora, meio ambiente são os animais, as plantas, os rios e os mares. Aí eu digo, e ecossistema? A resposta: ecossistema é a Mata Atlântica, a Amazônia, a Savana…
Legal. E o ser humano? E as cidades? Não fazem parte do meio ambiente, nem constituem ecossistemas?
Ao longo do processo de evolução, o homem criou sistemas paralelos ao ECOssistema. São estruturas artificiais que fazem com que a população humana não se veja dentro do ambiente, mas perifericamente, ou ainda superiormente.
Ah, não acredita? Então me responda, qual foi a última vez que tomou banho de chuva? Não uma chuvinha qualquer, estou falando daquelas que molham as roupas de baixo! Faz tempo né?
Não estamos mais sujeitos às variações climáticas, não sabemos em qual fase da lua ou estação do ano estamos. Mas por outro lado, sabemos a cotação do dólar e quais são os candidatos à presidência.
Alberto Prado Díaz, em seu livro “Educação Ambiental como Projeto”, chama esses sistemas paralelos de esferas e as nomeia como Biosfera, Sociosfera e Tecnosfera. O atrito causado entre essas esferas, ou, entre a sociedade, as tecnologias e o meio ambiente, são as causas de todos os problemas socioambientais. Ou seja, as esferas construídas pelo homem acabam se colocando acima da única esfera natural.
Se pararmos pra pensar, em algum lugar do passado longínquo, nossos ancestrais tomavam muito mais banhos de chuva, ou seja, estavam muito mais em contato com o meio ambiente. A sociedade contemporânea afastou-se desse ambiente, e passou a olhar a natureza sob um prisma de fim de semana, de férias e não do dia a dia.
Por que as teorias econômicas, por exemplo, não consideram a capacidade de suporte da natureza já que tudo o que vemos a nossa volta, inclusive nós mesmos, somos parte dela? Será que ninguém parou pra pensar que o crescimento econômico indefinido não é a solução para os problemas sociais, uma vez que é sabido que o ambiente não suportará?
A única forma de alcançarmos uma sociedade mais justa e sã é mudarmos esse paradigma. Não conseguiremos voltar aos níveis antigos de crescimento e desenvolvimento, isso causaria uma catástrofe ainda maior. Mas temos a obrigação de pelo menos pensar em estagnar, dividir renda. Dados apontam que os 500 bilionários do mundo detêm metade da riqueza do Planeta. Não te parece injusto?
É esse problema que o socioambientalismo se propõe a estudar. Essa separação incompreensível entre o homem e seu meio. Da terra viemos e para ela voltaremos, não é mesmo? Então, a matéria que te constitui um dia também já foi mar, ou atmosfera, ou quem sabe parte de uma barata!
Então, o que temos para propor é que você tome mais banhos de chuva, seja mais justo e tolerante, e não pense que todo ambientalista é aquele ecochato, ou ecoxiita, como já fui chamado algumas vezes. Nossa teoria tem fundamentação, e, se nos propusemos a travar essa batalha, é porque acreditamos na humanidade e amamos nossos iguais e as outras espécies que estão, juntamente conosco, nesta maravilhosa experiência que é viver.
Até que nossos átomos voltem para o seu lugar de origem, que é a biosfera!
Tenha dias mais verdes!!
Sugestão para leitura: Ecoeconomia – uma nova abordagem. Ed. Lazuli. Hugo Penteado

criado por lh_henrique    17:13 — Arquivado em: Socioambientalismo

A possibilidade da vida determinada pela diferença

 Sempre que ouvimos falar em problemas ambientais, o termo biodiversidade aparece. Mas afinal o que é biodiversidade? O que isso tem a ver com minha vida?
Biodiversidade é o conjunto de formas de vida, ou de espécies, que habitam determinada região. Podemos, então, estar falando da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica, da Savana Africana, mas também estamos falando da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa rua ou até mesmo do interior de algumas bromélias, onde também se pode encontrar uma grande variedade de organismos.
A biodiversidade é uma das pedras fundamentais que possibilitam a existência de vida no Planeta Terra. É, ao mesmo tempo surpreendente e paradoxal. A presença de determinadas espécies favorece o surgimento e manutenção de outras.
E quando nos referimos à biodiversidade, não estamos apenas falando do Mico Leão Dourado ou do Panda, falamos também dos vegetais e de um sem número de microorganismos, como bactérias, protozoários e fungos sobre os quais conhecemos o equivalente à ponta de um Iceberg.
São esses organismos, que por sinal não são “peludinhos” e nem simpáticos, que nos fornecem condições de sobrevivência. Deles extraímos antibióticos, cosméticos, alimentos, além de contarmos com seus preciosos serviços ecossistêmicos como, por exemplo, o controle de vetores de doenças, como fazem as lagartixas ao se alimentarem de insetos e os cogumelos quando decompõem as matérias mortas na natureza.
Olhe à sua volta e tente enxergar algo que não tenha vindo da natureza. Olhe para sua mesa, para seu prato de comida, para seu escritório. Tenho certeza que você perceberá que a biodiversidade não está assim tão longe do seu cotidiano.
O problema de perda de biodiversidade, portanto, representa a extinção de milhares de espécies, muitas das quais que ainda nem conhecemos, e que poderiam nos ajudar a combater males como o câncer, a AIDS, a gripe aviária, a febre aftosa dentre tantas outras.
A industrialização, a agricultura e a urbanização estão provocando a maior extinção de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos.
E mesmo que da natureza não pudéssemos retirar mais nenhum produto, serviço ou recurso, isso não é razão para destruir, converter em pastagem. O Meio Ambiente influencia as pessoas de formas diferentes, transcende essa barreira da prospecção e deve ser considerado um bem supraeconômico e suprapolítico. Deve ser considerado um bem social, para a atual comunidade e para os descendentes dela.
Esse fenômeno, de extinção maciça de espécies sem nenhum alarde ou preocupação, deve-se, principalmente, ao afastamento do homem do seu meio natural. Houve uma perda da compreensão temporal e espacial em escala geológica. Vivemos um presente muito restrito que nos impede de enxergar o passado longínquo e um futuro distante.
O nosso planeta tem quase 6 bilhões de anos e o ser humano habita esse grão cósmico há aproximadamente 1 milhão de anos. É muito pouco se considerarmos os estragos que por aqui causamos.
Em virtude desse afastamento surgem, além dos problemas ambientais, uma série de desequilíbrios sociais. Biodiversidade também se refere aos seres humanos, e o sucesso da evolução da nossa espécie depende das diferenças entre as pessoas. Ou seja, o preconceito, a discriminação e a segregação são fatores que favorecem nossa extinção.
Saber respeitar as diferenças é zelar pela vida, é buscar melhorias socioambientais sem demagogia, é voltar a ser parte da natureza!
Dê um sorriso para essa pessoa tão diferente (e tão parecida) que está ao seu lado e tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    17:12 — Arquivado em: Biodiversidade

Lixo vira água quente

Na edição passada, procuramos esclarecer sobre a necessidade de se praticar a coleta seletiva como forma de favorecer a reciclagem de materiais, explanando sobre os benefícios socioambientais que esta atitude acarreta.
Entretanto, existe uma outra forma de proteger o meio ambiente no tratamento dos resíduos sólidos (principalmente embalagens). Trata-se da reutilização.
O procedimento de reutilizar resíduos tem se tornado uma prática cada vez mais comum, tal qual a coleta seletiva, e é hoje uma linha de pesquisa muito utilizada.
A reutilização ocorre, por exemplo, quando a dona de casa lava e reutiliza o copo de requeijão e também quando profissionais desenvolvem tecnologias a partir do lixo.
O interessante nisso tudo é que essa moda, comum à maioria da população, está prevista nos mais importantes documentos que regem a Educação Ambiental, que por sua vez, envolve uma série de procedimentos, atitudes e técnicas que em última análise visa modificar, a relação entre os homens e entre os homens e o meio ambiente, diminuir as diferenças sociais, quebrar o paradigma consumista das sociedades contemporâneas e favorecer a construção da cidadania.
Aos poucos, a Educação Ambiental começa a formar ecocidadãos, pessoas centradas, conscientes de suas obrigações com o meio ambiente e com a sociedade e que tentam de alguma forma ajudar.
É o caso do Sr. José Alcino Alano que, juntamente com sua família, desenvolveu um sistema de aquecimento de água a partir de embalagens PET. Em seu projeto ele comenta: “Somos conscientes das facilidades e conforto que toda essa gama de embalagens nos proporciona, mas é visível o impacto ambiental que causam quando descartadas de maneira errada e irresponsável. Com o propósito de dar um destino útil às embalagens pet, caixas tetra pak, bandejas de isopor, sacolas plásticas, etc., surgiu-nos a idéia de aplicá-las num aquecedor solar alternativo, em sintonia com nossa preocupação na adoção, sempre que possível, por sistemas ecologicamente corretos. Em conseqüência dos resultados obtidos, com um projeto extremamente simples e barato, sentimos que poderíamos dar um destino coletivo, à implantação do mesmo”.
Mas Alano não parou por aí. Após devido registro junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), ele disponibiliza o projeto, gratuitamente, e incentiva as pessoas a utilizá-lo em suas residências. Brilhante!
A aula de cidadania de Alano continua. Ele recomenda: “Desfrutem dessa energia gratuita e integrem-se também aos que vêem o planeta como um todo, adotando como filosofia á preservação do meio ambiente. Esse ecossistema frágil que não deve ser agredido, sob pena de respostas nada frágeis. Não é possível que sejamos tão imediatistas e irresponsáveis, ao extremo de comprometermos os destinos não só dessa, mas principalmente das futuras gerações”.
O mundo agora deve a Alano! Muito mais do que por ter desenvolvido uma tecnologia ecoeficiente, mas por ele ter resgatado sentimentos que andam adormecidos na humanidade: a compaixão, a humildade e a solidariedade.
Tenha dias mais verdes!
Se você quiser conhecer na íntegra o trabalho da família Alano acesse http://josealcinoalano.vilabol.uol.com.br/manual.htm ou mande e-mail para josealcinoalano@ibest.com.br.

criado por lh_henrique    17:10 — Arquivado em: Resíduos

Método Ambiental

“Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem”.
Foi assim que certa vez, um de meus mestres iniciou sua aula de Estatística aplicada à Gestão Ambiental, parafraseando Decartes, ele pretendia divagar sobre consciência ambiental e de cidadania.
Confesso que à época, até mesmo por já conhecer e admirar o pensador citado, passei muito tempo pensando nos elos que existiam entre a questão ambiental e o bom senso; entre a devastação absurda da Amazônia e a ganância arrogante daqueles que a devassam, entre o crescimento da altamente indústria poluidora-automotiva e o consumo absurdamente crescente de veículos de passeio pesados e “sujos”; entre as pseudo-descobertas farmacêuticas e o desrespeito com o saber local e tradicional.
Digo isso porque o texto de Decartes continua da seguinte forma:
“E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas”.
Ser ponderado sempre foi uma das qualidades que mais busco, e assim o farei dessa vez. Refletir e ajudar o meio ambiente é uma forma de se pensar, é uma razão, um caminho com muitos outros. Mas confesso não conhecer um mais sensato.
Nós desejamos uma indústria automobilística, mas queremos investimentos pesados em tecnologias limpas e neutralizadas;
Precisamos e queremos madeira, até mesmo para decoração, mas queremos que ela traga consigo benefícios sociais pra quem a extrae, e não trabalho escravo;
Precisamos muito de medicamentos, mas não queremos pagar royaltys estratosféricos por princípios ativos encontrados em nosso País.
Então deixo o filófoso concluir:
“Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam”.
Talvez por isso, o ambientalismo ainda crie tanta polêmica ao mesmo tempo que luta em prol da totalidade, da inclusão, do compartilhamento e da solidariedade.
É coisa pra filosofar!
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:48 — Arquivado em: Socioambientalismo

7/8/07

A Copa do Mundo, o Meio Ambiente e o celular

Em 1970, o povo brasileiro invadiu as ruas e cantou: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção…”. Era, como este 2006, ano de copa. Só que agora, se criarem uma marchinha temática, o refrão terá de entoar “185 milhões em ação…”.
Os números não deixam dúvidas. A população brasileira que demorou 470 anos para alcançar a marca de 90 milhões de pessoas, em apenas 36 anos mais do que dobrou. Esse fenômeno demográfico nacional não é isolado. O mundo todo observa a progressão das populações de forma geométrica, e o que é pior, num planeta que não tem mais pra onde crescer.
Simultaneamente temos notado, ao longo das últimas décadas, a consolidação do sistema capitalista, que em sua essência visa um desenvolvimento quantitativo de pessoas e instituições, uma espécie de ditadura do mais, promovendo um padrão de vida incompatível com a realidade.
Sim, porque se todos os habitantes do Planeta Terra vivessem consumindo o mesmo que se consome nos países ricos seriam necessárias, no que se refere a recursos e espaço, quatro planetas iguais a este em que você mora.
São bilhões de pessoas ávidas por tecnologia, muitas vezes de utilidade duvidável, que buscam freneticamente um carro mais novo, uma casa mais confortável, comida rápida, celulares mais sofisticados…
Todos esses bens trazem consigo pesados ônus para o meio ambiente. Veja por exemplo o caso dos aparelhos celulares. Uma das maiores empresas de telefonia do Brasil acaba de atingir a marca de 30 milhões de clientes. Nada menos de trinta milhões de pessoas carregando uma cápsula de metais, poluentes que possivelmente irão parar na natureza, até mesmo por falta de informação.
Este espaço, portanto, pretende debater soluções realmente viáveis para evitar que a perigosa combinação entre crescimento populacional e o consumo desenfreado venha a produzir sua explosão.
Há saída. E ela depende muito mais de mim e de você do que de qualquer país ou governante.Basta nos livrarmos, mesmo que isso possa parecer doloroso, desse inconsciente consumista que nos aflige. Ao menos tentemos o crescimento qualitativo que ambientalistas vêm defendendo ferrenhamente.
Ah, temos uma boa notícia: ninguém vai ter de abrir mão da nossa inseparável tecnologia. Basta sabermos utilizá-la.

Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    16:39 — Arquivado em: Socioambientalismo
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Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.