Ambiente e Cultura

Espaço dedicado aos debates acerca dos problemas ambientais e sociais; pretende-se divulgar informações sobre políticas ambientais, ecoeconomia, cidadania e experiências relacionadas. AUTORIZADA A REPRODUÇÃO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

11/9/08

Pense ECO para ser ECO

No mês de setembro, a Revista Página 22, publicação da FGV – Gvces, trouxe uma excelente matéria sobre o movimento socioambientalismo.

Buscando a opinião de diferentes lideranças, as colaboradoras Flavia Pardini, Amália Safatle e Carolina Derivi, esmiuçaram, além do famigerado histórico do movimento que pauta o início de qualquer explanação sobre meio ambiente e ambientalismo, a atual situação deste e os novos rumos que devem ser tomados nos próximos anos.

Interessante ter lido essas informações no mesmo mês em que compareci à Mostra Fecomércio de Sustentabilidade, evento em que Giovanni Barontinni, da Fábrica Éthica, foi convidado a palestrar.

Inicio assim esta coluna, pois, além de nesses dois casos a essência da postura ecologicamente correta, da sustentabilidade, do tripple botton line terem sido exploradas, de forma bastantes críticas, diga-se de passagem, outra questão veio à tona.

O que é preciso para anexar ao seu modo de vida, ao seu produto, ou à sua casa o prefixo “eco”? Esse termo, junto com os demais acima citados, ainda demonstra realmente o conceito sobre o qual foram cunhados? Perdemos o foco e agora o movimento verde (que alguns autores inclusive já tratam como movimento azul, verde brilhante ou verde escuro) corre risco de se resilir pelo próprio arcabouço que criou?

Quando me dei conta dessa nova complexidade que envolve a discussão ambiental, mesmo estando envolvido e atento ao que ocorre, percebi que realmente perderíamos terreno para as especulações e cairíamos duramente no lugar comum. Voltaremos a representar os retrógrados e reacionários “ambientalistas” caso não tragamos a todas as populações e ampliemos nossa área de influência de forma simples e objetiva.

Aí, bem neste ponto, Barontinni tira seu coelho da cartola.

Tecnologias, compensações, plástico, vidro, reciclar, diminuir, reutilizar, soja, biodiversidade???

A verdade é que para ser, basta fazer! Wilmar Berna, um exímio educador Ambiental do Rio de Janeiro, caracteriza essa modalidade educacional como a pedagogia da ação. Isso mesmo, a ação, o pensamento sobre a questão, descobrir modelos eficientes e eficazes, falar e discutir sobre sustentabilidade, ou como diz Iberê Thenório, meu amigo virtual: “A motivação está mais em propagar uma cultura de sustentabilidade do que no efeito prático de suas ações”.

Para ilustrar uma dessas ações, cito a questão das construções sustentáveis, empreendimentos que são pensados para serem construídos diminuindo o uso de recursos naturais e otimizando os gastos após a conclusão das obras.

Essas construções seguem regulamentação do LEED (Leardship in Energy and Environmental Design) selo criado pelo U.S. Green Building Concil para certificar empreendimentos que respeitam princípios de construção sustentável.

Há, dirão alguns teóricos, mas essa certificação não abrange a diminuição do consumo. A construção civil é uma atividade extremamente poluidora…

É verdade. Mas lembremo-nos de onde estamos, onde queremos chegar e da complexidade que criamos e que agora tende a nos engolir.

Façamos e pensemos no assunto. Já é um bom começo.

Clique aqui e assista o programa Cidades e Soluções, de André Trigueiro, que trata de Empreendimentos Sustentáveis.

Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:32 — Arquivado em: Gestão Ambiental Corporativa, Socioambientalismo

12/6/08

Quando Maggi é mais sustentável que Gore?

Tenho notado como tendência atual no campo da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável, que os agentes sociais, de qualquer esfera ou grandeza, encontraram uma forma maquiavélica e irresponsável de discurso e postura.
Essa tendência representa tudo àquilo que se abomina e que se quer abandonar no modelo antigo e ultrapassado, não só de desenvolvimento, mas de vida, de convivência, de existência.
O meio ambiente, graças aos avanços da ciência e do engajamento de pessoas centradas e, estas sim, visionárias, faz parte hoje de um grupo de posicionamentos sociais que determinam o caráter dos cidadãos, demonstram seus reais interesses e preocupações, despem suas carapuças e máscaras e, ao menos, dão pistas sobre se essas pessoas devem ou não serem levadas a sério. Ou à cadeia.
Quando questionado a tomar uma postura com relação ao meio ambiente, as pessoas reagem de forma semelhante á quando questionadas sobre preconceito, respeito, altruísmo e bom senso.
Conhece alguém, excetuando-se grupos de homo sapiens com desvios morais incompreensíveis, que alega ser preconceituoso? Tem contato com alguma pessoa que alega desrespeitar indiscriminadamente idosos ou mulheres? Já ouviu falar de alguém desprovido de bom senso? Aposto que não.
E, todos sabemos que o preconceito come solto na nossa sociedade, que idosos são roubados nas filas de saques de benefícios sociais, que pais estacionam seus carros em frente às escolas, mesmo que em lugar proibido, porque “é apenas por um minutinho!”
Ocorre hoje com as questões ambientais a mesma tendência. Poderia citar um caso de pessoa que não gosta, não respeita ou não tem apreço pela natureza? Alguém que sente-se orgulhoso por poluir água, ar ou solo? Aposto, novamente, que não.
No entanto, ao invés de nos concentrar-mos em efetivamente mudar, criar soluções, desenvolver mecanismos, agirmos, pegamos o que temos mais à mão, o que dá menos trabalho, enfim, aquilo que nos convém.
Só que entre o que convém a mim, e o que convém a você, leitor, provavelmente deve existir uma boa distância.
É por isso que essa tendência corre em direção oposta àquela desejada e possivelmente única, pois compartimentaliza e segmenta a sociedade mantendo-a exatamente como ela sempre foi.
Quando Lula defende os Biocombustíveis, álcool incluído, a ferro e fogo, e alega que o trabalho nos canaviais é duro, quando na verdade é ESCRAVIDÂO, ele esta seguindo esta tendência. Nada melhor do que tornar o Brasil uma potência energética não? Ao menos para o Presidente em exercício.
Quando empresas divulgam seus planos de sustentabilidade, seus resultados socioambientais, seus benefícios sociais e ao mesmo tempo dependem de um consumo crescente e perene, seguem também a tendência.
E o cidadão, iludido, segue também. Menos de 5% do lixo de São Paulo é reciclado. A reciclagem está anos luz da solução para a questão de resíduos sólidos e todos os problemas atrelados. Mas como falar de redução num panorama como esse?
Talvez, o que nos falte é o que sobra nas palavras e posturas criminosas e irresponsáveis do Sr. Blairo Maggi: coerência!
Aos que bradam sustentabilidade, por favor: inovação, contundência e acima de tudo: AÇÃO! Caso contrário continuaremos a correr na esteira.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:33 — Arquivado em: Socioambientalismo

14/5/08

Em prol das Baleias

A leitora blogueira Carol postou o seguinte comentário sobre Post Jogos do Genocídio:

"Nossa que complicado, não sabia desses dados, é importante mesmo divulgar!

Estou propondo uma blogagem coletiva em meu blog em favor das baleias… Se puder dar uma olhada, agradeço muito!

De qualquer maneira, por favor assine a petição!!!

Grande beijo!"

O Ambiente e Cultura entra na briga em prol das baleias e disponibiliza os seguintes links para seus leitores:

Para entender o problema que envoleve a população de baleias e o governo japonês (irresponsável e inconsequente), clique aqui!

Para assinar a petição ao Sr. Presidente para que ajude na proteção às baleias, clique aqui!

Vamo lá galera, o prazo é curto!

Minha assinatura já está lá.

Abraço

e tenha dias mais verdes!

criado por lh_henrique    12:43 — Arquivado em: Biodiversidade, Biomas e Ecossistemas

Petróleo, refrigerantes, condomínios e outras ment

Em abril passado, o CONAR (Conselho de Auto-Regulação Publicitária) recomendou a suspensão de veiculação de duas campanhas da Petrobras por divulgarem a "idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país".

Essa iniciativa partiu de entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Greenpeace, o Movimento Nossa São Paulo e a SOS Mata Atlântica, entre outros.

Já conversamos neste espaço sobre o termo Green Wash que se refere a empresas que apenas pintam de verde sua fachada e saem bradando aos quatro ventos que são ECO, BIO, sustentáveis, ambientais, sociais e outras balelas.

A maioria das empresas continua sendo apenas empresas comuns. Com vislumbre inebriante de maiores lucros a qualquer custo, aumento de shares, grana no bolso de alguns.

A petrobras investe um montão de dinherios em meio ambiente podem dizer alguns. É verdade! E a Petrobras é co-responsável pela morte de 6.000 pessoas por ano, ao comercializar, em alguns casos, diesel com 40 vezes mais enxofre do que aquele comercializado na Europa.

Uma empresa que trabalha com combustíveis fósseis nunca, nunca, vai ser sustentável! É claro e límpido que ao extrair, refinar, transportar e comercializar um produto que causas desequilíbrios ambientais severos (mudanças climáticas) e problemas sociais ainda mais drásticos (problemas respiratórios, cânceres e mortes) a empresa perde apoio de dois eixos do chamado tripé da sustentabilidade.

Ah sim, o eixo restante é o econômico, aí sim a Petrobras é empresa de ponta!

Não é só a empresa petroleira que deveria tomar um safanão do CONAR. Tem muitos outros engraçadinhos por aí.

A Coca-Cola vai destinar parte das vendas de seus refrigerantes (algo em torno de 2 ou 3 centavos por garrafa) para o Instituto Coca-Cola. Entenderam? Tudo na cozinha. Sai da empresa e entra no Instituto.

Discussões à parte e partindo do princípio que o Instituto vai aplicar com sapiência e parcimônia os recursos obtidos, ainda assim existem pontas soltas muito interessantes.

O montante de arrecadação coma campanha de que estamos falando gira em torno de R$ 4 milhões. É mais ou menos como se uma pessoa que ganha um salário mínimo doasse 1 real a cada três meses para uma instituição de caridade e saísse dizendo que sua parte estava feita. Independentemente se ele jogasse lixo no chão, tomasse banhos de duas horas diárias e desperdiçasse alimentos!

Mais. Quanto será que a Coca-Cola está investindo em montagens de campanhas, agências, criação, pontos de venda, espaços em TV, rádio, impressos? Muito mais do que será arrecadado.

Então porque não simplesmente destinar esse outro montante (mais significativo) para projetos socioambientais?

E mais um detalhezinho: não vamos nos esquecer que a Coca-Cola também apóiam os jogos do genocídio, né?

É assustador o número de condomínios residências que apelam para o “venha morar ao lado do parque…”, um bosque privativo inteiro pra você e sua família…“, muito verde e ar puro…”!

Falácia das mais pobres e inverossímeis! Um bosque privativo é tudo, menos meio ambiente. A pressão exercida pelo efeito de borda desses condomínios sobre os parques que os cercam é análoga à pressão exercida sob o pescoço de um homem na forca!

Esses condomínios colaboram para a degradação do ambiente urbano, enganam seus clientes sem ao menos tomar iniciativas simples como projetos de ecodesign, baratos e eficientes.

Atenção CONAR!

Mais sobre o assunto acesse  Propaganda Sustentável
Para denunciar propagandas enganosas ou abusivas, clique aqui! 

Tenha dias mais verdes!!

15/4/08

Boicote aos jogos do genocídio.

Por Leandro Henrique e Fernanda Menezes

Os manifestos e boicotes contra as olimpíadas da China insurgem contra o tratamento político dado aos seus tibetanos, e ao uso abusivo dos recursos e serviços ambientais de mais um país de dimensões continentais, que tem a chance de focar um desenvolvimento diferenciado, a partir dos modelos de insucesso oferecido pelas nações recentes, chance esta que ainda poderia ser embalada pela da força de Estado que ainda persiste na estrutura de governo.

Isso tudo vem à tona, por agora, uma vez que as respostas do meio ambiente põem em risco a saúde dos atletas olímpicos, e a onda é aproveitada para clamar por todos os gritos.

Os contra-argumentos, a favor das olimpíadas, no entanto, buscam atingir um governo de políticas estratégicas, de longo prazo, que já fez as suas cruciais escolhas a mais ou menos trinta anos atrás.

A força motora das transformações de hoje tem outros nomes: capital, globalização, e está essencialmente pautada pelas grandes marcas, sediadas em cidades distantes dali. São estas mesmas marcas, as propulsoras dos jogos, que estendem a bandeira dos aros olímpicos, como uma coberta sobre a atuação de muitas delas naquele e em diversos outros países participantes do evento.

Coca Cola, McDonald’s, Visa, Adidas, General Electric e Volkswagen são algumas dessas marcas que, inequivocadamente, investiram mal seus preciosos dólares. É um exemplo claro de tiro no pé! Esse tipo de campanha tem objetivo de fortalecimento de marca e de agregação de valor institucional, e a comunidade internacional não recebe bem essa ligação entre as multinacionais e um governo ditatorial, autoritário e reacionário.

Essas empresas investiram o equivalente a 80 milhões de dólares para mostrar aos 4 bilhões de expectadores quão responsável e competente são. E vão mostrar exatamente o oposto: que não ligam a mínima para as questões ambientais e sociais, desde que garantam exposição nessa mídia excepcional e é claro, que não percam o mercado chinês de quase 1 bilhão e meio de “consumidores”.

Os gritos contra a inveja que se tem do crescimento vertiginoso da economia chinesa parecem inócuos. A próxima potência mundial inclusive em tecnologia de ponta, como dizem uns, só alcança seus objetivos por explorar inadvertidamente sua população e molestar com profundo desrespeito indiferença seus recursos naturais.

Que as empresas acima citadas não bradem em seus relatórios de sustentabilidade suas ações socioambientais, que não desenvolvam campanhas publicitárias lançando um “ECO” produto qualquer, fruto do devaneio de alguns executivos metidos a gestores ambientais. Que, enfim, pelo menos não sejam hipócritas porque mecanicistas e perversas elas já pagaram pra mostrar que são!

Acesse o sítio do Reportes sem Fronteiras, principal movimento contra as próximas Olimpíadas, e apóie a campanha contra os abusos cometidos na China.

Tenha dias mais verdes!!

12/3/08

Contundência contra a falácia tecnológica/mercado

No dia 2 de março de 2008, a Folha de São Paulo publicou matéria intitulada “Poluição piora na Grande São Paulo e migra para o Interior e litoral”.
Isso mesmo, apesar de todos os esforços, muitos dos quais citados neste espaço, de ONG’s, Institutos Públicos da mais alta confiabilidade e órgãos internacionais, o ciclo de melhoria na qualidade do ar na região da Grande São Paulo encerrou-se.
É difícil assimilar essa realidade. Mas ao mesmo tempo, notícias como essa renovam e endossam o tom contundente que devemos ter quando abordamos questões sócioambientais.
Ficar comemorando pseudomelhorias ou achar que devido ao aumento do debate acerca de tais problemas encerram-se e resolvem-se as discussões é realmente um tiro no pé, uma bravata inaceitável de quem não está disposto a mover-se em direção a solidariedade ou de quem está muito preocupado com coisas mais importantes, como seus investimentos e negócios.
Há ainda um outro ponto importantíssimo subscrito na matéria: A CETESB, segundo o jornal, afirma que “estão esgotados os mecanismos que vinham sendo adotados para controlar a poluição, como a tecnologia que tornou os automóveis menos poluentes e a adoção do rodízio de veículos”.
A tecnologia não é solução para nossos problemas, é alternativa em curto prazo!
E esse imbróglio vai ainda mais longe. O ciclo de melhorias da qualidade do ar, que iniciou-se em 2002, findou-se agora principalmente pelo aquecimento da economia que fez a frota de veículos em São Paulo atingir a marca de 6 milhões de unidades do produto sedentas por combustível. Portanto, também não podemos firmar nossas esperanças no crescimento econômico, como querem muitos, para melhorar nossa qualidade de vida.
Triste matéria reveladora e necessária.
E por falar em combustíveis, cabe uma crítica bastante pertinente àquela empresa, orgulho dos tecnicistas, figurante dos mais respeitáveis índices de credibilidade e desempenho econômico, a PETROBRÁS. Você, por acaso sabia que esta estimada empresa pública fabrica diesel com 10 vezes mais enxofre do que o recomendado? Pois é, e a única justificativa encontrada pela citada é de que o combustível não é o único causador da poluição e dos problemas a ela relacionados. Então está tudo bem, né? Já que “os outros” cometem imprudências estamos autorizados a também fazer. Parece piada.
É como disse o Sr. Maurício Tolmasquin, da Empresa de Pesquisas Energéticas, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, quando indagado sobre se as reservas descobertas em Tupi não aumentariam as emissões de Gases do Efeito Estufa. Na ocasião, ele negou, justificando que grande parte do combustível seria exportada. Pra onde?? Deveria estar se referindo a Marte ou outro planeta qualquer, já que o Aquecimento é GLOBAL e as emissões dos compradores dos nossos combustíveis também afetaram os brasileiros da mesma forma como os combustíveis queimados aqui afetam cidadãos de Jaú.
Se não mudarmos nossa forma de viver, sim, nossa foram de realizar todas as coisas do dia a dia, deixaremos uma herança maldita para nossos descendentes.
E estamos falando sim em economizar recursos, em tomar banhos mais rápidos, em abrir mão de comprar vinte celulares por ano, em usar menos o carro, enfim, estamos falando em mudar. E acredite: isso é possível, nós só temos que derrubar algumas posições conservadoras daqueles que hoje vivem bem as nossas custas.
Tenha dias mais verdes!!

criado por lh_henrique    10:05 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

30/1/08

O Natimorto Protocolo de Quioto

Dentre os vários fenômenos que podemos observar em nosso planeta, entre eles a formação da vida, dependência entre as espécies e sistemas orgânicos, encontramos o Efeito Estufa. A concentração de gases bem acima de nossas cabeças atua como uma manta que nos aquece e mantém a temperatura da Terra em níveis estáveis, muito embora de maneira irregular ao longo da superfície.
Note, pois, que o Efeito Estufa formado naturalmente é mais que benéfico, é vital! Ocorre que ao longo dos anos e guiado por um mentiroso padrão medidor de satisfação humana, o modo de vida do Homo Sapiens injetou nesse complexo, incrível e sensível sistema bilhões de toneladas de gases (gases de Efeito Estufa – GEE) que naturalmente não ocorriam na natureza.
È como se você dormisse de meias, cachecol, polainas, gorro e cacharrel com edredons e cobertas numa noite de janeiro em Salvador!
São concebidos então os termos mudanças climáticas e aquecimento global, efeitos meteorológicos que caso negligenciados podem determinar, pela primeira vez em quase 6 bilhões de anos, o fim de uma espécie em função de sua própria existência.
A urgência da questão aliada ao empenho de cientistas (e não à vontade e articulação política como podem pensar alguns) fez com que a partir de 1995, por meio da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC) e seu órgão supremo, a Convenção das Partes (COP) ocorresse a mobilização no sentido de se buscar alternativas e soluções à emergente questão.
Eis que em 1997, dois anos depois, em Quioto no Japão é proclamada a salvação: o Protocolo de Quioto e seus Mecanismos de Flexibilização.
Afora o ganho de causa e o fortalecimento do movimento e conscientização internacional, o Protocolo de Quioto é um lindo bebê natimorto!
Do ponto de Vista do Protocolo em si, cabe a voraz crítica sobre o fato de os países em desenvolvimento, muitos com taxas de crescimento elevadas e com matriz energética comprometedora, simplesmente terem sido isentos de implementar políticas de controle e redução de emissões .
Sem contar o fato de que a redução prevista, de 5% em relação aos níveis da década de 1990, é simplesmente ridícula perto da urgência requerida. Soma-se ainda a falta de adesão, compensada pelo recente ingresso da Austrália, mas que ainda não tem a “honra” de contar com os ilustríssimos estadosunidenses.
Mas o mais grave são os mecanismos estabelecidos no Protocolo dos quais depende a vida de quase todos os habitantes deste planeta. Baseados no mesmo raciocínio cartesiano e quantitativo que nos trouxe até aqui, a solução ideal encontrada foi a de quantificar e fazer valer “dinheiros” as iniciativas positivas no combate às mudanças climáticas.
Todos os mecanismos desenvolvidos para por em prática as determinações do Protocolo tem viés comercial. Implementação conjunta, comércio de emissões e o famoso (?) Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
A idéia é simples e há quem dica que surgiu em terras tupiniquins: quem reduzir suas emissões (países em desenvolvimento basicamente) pode comercializar essa redução em forma de créditos aos países que não querem reduzir (os ricos).
Não sei a você nobre leitor, mas a mim soa como uma licença para poluir!
Parece-me apenas que com esses mecanismos conseguimos atender o interesse de todos os governos, mas não dos governados. Se realmente fosse um plano inteligente, aqui no Brasil onde a derrubada de florestas é a maior emissora de GEE, a Amazônia estaria começando a reerguer-se e não sendo covardemente destruída sob protestos dos generosos e benfeitores produtores de grãos e carne.
E agrada também o nosso mandatário oficce-boy da ONU, Sr. Lula, que vem mangueando recursos com seus patrões e no seu entendimento de planejamento estratégico energético constrói megausinas a custos ambientais altíssimos ao invés de revitalizar as antigas, reativa termelétricas, subjuga os funcionários públicos que trabalham com preservação (leia-se IBAMA) e desconfia (sob sua prepotência de quem tudo sabe ou nada sabe com lhe convir) dos técnicos do Inpe.
Transformar preservação em mercadoria irá inevitavelmente gerar corrupção, especulação e mais devastação.
Que pelo menos o debate sobre o sucessor do finado Protocolo seja mais inteligente e menos demagogo.

criado por lh_henrique    14:19 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

30/11/07

Equívoco Conceitual

Recentemente o Sr. Maurício Tolmasquim, Presidente da Empresa de Pesquisa Energética – EPE – disse à Folha de São Paulo que o petróleo de Tupi não influirá nas emissões brasileiras (de gases do efeito estufa).
A estupidez conceitual, com a qual compartilhou o jornal, é um exemplo claro do quão distante estamos do enfrentamento efetivamente comprometido e engajado das mudanças climáticas e de todas as outras mudanças substancialmente perigosas por que vêm passando o ambiente natural.
A EPE, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, é mais um exemplo de órgãos governamentais que tem algo, ou muito, há ver com o ambiente e simplesmente transformam a questão em joguete político.
Qualquer aluno do ensino fundamental sabe que o aquecimento é GLOBAL, e o fato de o Brasil exportar seu excedente não livra o povo nordestino do futuro seco e incerto. Não livra também os agricultores familiares do sul do Brasil, que amarguram perdas irreparáveis com as faltas de chuvas e com, quem diria, tempestades tropicais.
È um descalabro prestar tamanho desfavor ao debate com vistas ao corporativismo e fisiologismo político, principalmente considerando o aumento de 45% na geração de GEE atribuídas ao Brasil nos últimos nove anos, os últimos relatórios do IPCC que afirmam ser inócuos os esforços de redução de acordo com o Protocolo de Quioto e o óbvio Lulante não querendo assumir suas (nossas) responsabilidades em Bali.
Obrigado por poluir deliberadamente o debate Sr. Tolmasquim!

 

Aprendi a observar o trabalho de Tolmasquim e da EPE atravé do Blog do Luiz Prado. Vale a pena conferir os textos dele.

criado por lh_henrique    10:44 — Arquivado em: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

21/11/07

RSE

É possível afirmar que a Responsabilidade Social Empresarial teve seu embrião germinado nos idos da década de 1920.

Com foco assistencialista e com visão de filantropia, as empresas após desenvolverem seus vistosos impérios investiam na construção de hospitais, universidades, museus, bibliotecas e igrejas ou, em outros casos, estruturavam comunidades inteiras nos arredores de seus domínios.

Dar o peixe a quem tem fome parecia ser a maior expressão de altruísmo e de demonstração de bom caráter.

Hoje muita coisa mudou em relação ao papel social da empresa o que, na minha opinião, decorre da metamorfose por que vêm passando os papéis de todos os outros grupos sociais.

O mundo atual é baseado na informação e principalmente na capacidade e facilidade que a maioria tem de transmitir informações. É, portanto, um mundo conectado; É ainda um mundo interdependente, globalizado; E é, antes de tudo um mundo em perigo, assediado socioambientalmente por seguidas gerações.

É nesse contexto de competição global, informação, desenvolvimento vertiginoso do terceiro setor, nas novas concepções de cidadania, direito, deveres e noções de ética e moral que a nova face da Responsabilidade Sócio Empresarial (RSE) vem se aperfeiçoando.

Ensinar a pescar parece ser o objetivo.

A RSE é um benchmark de Boa Gestão Empresarial, introduz a visão Sustentável em detrimento da Cartesiana, dando ênfase na cooperação, na qualidade, na participação, e no bem estar;

Como prática cotidiana desse novo modelo de gestão, devem-se observar a transparência, o compromisso ético e seu repúdio a corrupção. Enfim, as corporações estão sendo cobradas na sua responsabilidade frente à sociedade, em vista disso, um bom modelo de RSE é aquele onde a gestão está voltada para os stakeholders.

Não é simples atuar com foco na responsabilidade social. Um sem número de variáveis e variações têm de ser determinados e sua negligência pode descaracterizar uma grande idéia ou uma meta legítima.

É preciso afirmar que os modelos de RSE atuais são aqueles que englobam a questão dos Direitos Humanos, do Voluntariado, da Saúde e Segurança no Trabalho, do Meio Ambiente e da Acessibilidade e Inclusão Social.

É a partir da análise cuidadosa desses fatores que a Boa Gestão propõe possibilidades para as tomadas de decisão estratégica e operacionais, tendo ainda em mente, o melhor equilíbrio possível do tripé da sustentabilidade.

Como todo processo de Gestão, a RSE tem ferramentas e programas específicos, dentre os quais destacam-se os Indicadores de Sustentabilidade (Exemplos como ISE – BOVESPA, ETHOS), bancos de dados de órgãos públicos e do terceiro setor, Certificações, Legislação e os Rattings (SERASA).

Um exemplo que ilustra bem essa evolução e movimentação das partes sociais, incluída aí a empresa, e o caso da Klabin, empresa que foi foco de manifestações num período chave da história do movimento socioambiental.

Inaugurada em 1972, a então Borregaard, tornou-se ícone de poluição industrial e a cidade de Guaíba (RS) ficou conhecida pelo cheiro de ovo podre, como disse Fernando Almeida (em O bom Negócio da Sustentabilidade), espalhado pela empresa no ar.

A Fiesp à época acusava de psicóticos os ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAM), enquanto uma CPI recomendava a suspensão imediata das atividades da empresa.

Na década de 1980 mudou de nome para Riocell e já não emitia mais mau cheiro; na década seguinte foco dos ambientalistas foi a emissão de efluentes e, mais uma vez a empresa se viu às voltas com pressões sociais e políticas e teve de estabelecer metas de controle de poluição.

Hoje, a empresa rebatizada de Klabin Riocell S./A. é uma das primeiras empresas a participar do Inventário de Poluentes Orgânicos Persistentes.

Poder de mobilização e informação, mudanças de paradigma éticos, morais e sobre direitos e deveres foram os combustíveis que moveram esse caso; readequação de produtos, processos, relacionamentos e ferramentas foram os escudos e as benéficas armas utilizadas pela empresa para sobreviver.

A determinação de sucesso ou fracasso empresarial tem forte argumento em como a empresa vê a RSE. Uma Boa Governança traz, para a empresa, benefícios intangíveis, como fortalecimento de marca e fidelização de clientes (indispensável com o aumento da concorrência mundial) e, tangíveis quando não perde funcionários excepcionais, não tem de pagar taxas e tributos e tem seus profissionais cada vez mais produtivos.

Ignorar seus princípios pode significar prejuízos sufocantes.

Isso já foi assimilado e está sendo praticado.

Mas qual será o futuro da Boa Gestão?

É cuidar dos rios e do bem estar da população para que os peixes estejam sempre a sua disposição, para esta e para as futuras gerações.

Afora o descaso do Poder Público que enxerga nas empresas fontes de receita, não parceiros sociais; afora a pobreza de projetos de grande porte seriamente engajados tanto academicamente como comercialmente, o que espanta os grandes grupos de investidores sociais, acredito que a resposta proativa básica e desejada é que o empreendedor vá além da legislação, que incorpore obrigações sociais.

Responsabilizar é exigir comprovação de legitimidade, neste caso, exigir que as empresas provem seu valor e sua importância social, e que essa relevância da empresa para a sociedade seja mais do que a simples geração de empregos.

criado por lh_henrique    6:52 — Arquivado em: Gestão Ambiental Corporativa

9/11/07

Quem não se comunica …

Em outubro último, o Jornal Folha de São Paulo divulgou sua pesquisa anual denominada Top of Mind.
O Grupo entrevistou 5541 brasileiros que responderam à seguinte pergunta: “Qual é a primeira marca que lhe vem à cabeça?”, e em seguida foram questionados sobre as marcas de 40 diferentes categorias de produtos e serviços.
Pelo primeiro ano o estudo contou com a categoria “Preservação do Meio Ambiente”, e o resultado foi bastante interessante.
63% dos entrevistados simplesmente não souberam citar nenhuma marca relacionada ao tema. Entre os quatro primeiros mais citados, um órgão público (IBAMA) e um do terceiro setor (Greenpeace).
Deixando de lado o debate sobre a eficiência e relevância da pesquisa (em termos de publicidade e mercado), tem-se uma boa impressão sobre o que pensam e como vêm atuando de forma equivocada os executivos responsáveis por processos de Comunicação Ambiental Corporativa no Brasil.
Este mesmo jornal, um dia antes da publicação da pesquisa trouxe matéria intitulada “Empresas falham na divulgação de projetos”. No texto, o colaborador André Palhano, cita a incapacidade dos Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC’s) em transmitir informações precisas a seus consumidores quando o assunto é responsabilidade socioambiental. Paradoxal não?
Recentemente li no blog Atitude Verde, de Iberê Thenório, um texto parecido. Ele ligou para os SAC’s de alguns fabricantes de óleo de cozinha perguntando o que fazer com o produto após o uso. Resultado: apenas duas empresas forneceram indicação sobre destinação correta do resíduo.
Duas conclusões óbvias: os processos de comunicação ambiental praticados por companhias nacionais atualmente desrespeitam o princípio básico da via de mão dupla. Eles te respondem, contanto que seja algo que eles queiram responder; e, essa constatação só prejudica a empresa, tendo em vista a clara impressão de que seus esforços são estritamente marqueteiros, não socioambientais.
Uma empresa que desenvolve projetos sérios e efetivos parte de dentro, seus funcionários são os primeiros a saber sobre os programas, criticam-no, fazem acontecer. Saberiam informar!
John Elkington e Jodie Thorpe da Sustainability, publicaram na revista Época Negócios, de Setembro/07, texto explanando sobre o termo “GreenWash” tido por ambientalistas como a definição para empresas que assim se portam. Elas deliberadamente pintam sua fachada de verde, com tinta de segunda, para esconder o acinzentado interior.
Mas o que causa essa correria, de onde vem essa aflição em demonstrar seus “resultados”? Segundo Savitz e Weber em seu livro A Empresa Sustentável muito disso tem a ver com o comportamento do consumidor, mais especificamente com o poder de mobilização que adquiriu nas últimas décadas aproveitando-se de um mundo mais liberal, conectado, interdependente e, acima de tudo, em perigo.
Prefiro achar que os CEO’s e Chairmans estão apenas enganados ao tentar ludibriar seus consumidores quando estes apresentam-se mais fortes e coesos, ou que estão aprendendo a trabalhar com essa nova demanda. Mas é bom que fiquem atentos: pesquisa IBOPE Sustentabilidade revelou que 46% dos entrevistados acreditam que as empresas que desenvolvem ações sociais e ambientais fazem isso somente como estratégia de marketing, o que significa atirar no próprio pé em termos de imagem e valor intangível.
A Comunicação Ambiental Corporativa não deve ser entendida como investimento em criação e veiculação de mensagens que a empresa julgue interessante divulgar. Tem de ser uma demonstração clara e sincera de um importante objetivo traçado e alcançado, mesmo que parcialmente, por meio de um esforço substancial em busca de um mundo mais sadio e igual.
Tenha dias sempre verdes!!

Mais link:

10 Dicas de Comunicação Ambiental – Jornal do Meio Ambiente

 

Referência

SAVITZ, A.W, WEBER, K. A Empresa Sustentável - O verdadeiro sucesso é o lucro com responsabilidade social e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

criado por lh_henrique    12:17 — Arquivado em: Gestão Ambiental Corporativa
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://ambienteecultura.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.